ESSES NOMES ENGRAÇADOS…

Posted on 10 de Dezembro de 2015

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Nas minhas primeiras letras em Química, aprendi acerca das substâncias anfóteras. São compostos de dupla personalidade, pois em meio básico reagem como os ácidos, e, em meio ácido, como se fossem bases. O excelente Dicionário Editora da Língua Portuguesa ensina-nos que o vocábulo anfótero provém do grego amphóteros, que significa “um e outro”.
Tanto quanto os compostos anfóteros, há inúmeros nomes próprios designativos de pessoas, aplicáveis indiferentemente aos homens e/ou às mulheres. Seriam nomes unissexos, uniformes do tipo comuns de dois, digamos.

Para começar, lembremo-nos do ex-governador do Estado de Goiás, chamado Iris Rezende, casado com a Senhora Iris Rezende.

O falecido Prof. Sebastião Guimarães Costa Filho, que era colecionador de casos hilários, disse-me que conhecia um homem chamado Salomé. Conhecia também o Senhor Odete. Ele mesmo informou-me ter ido ao sepultamento do Senhor Alcy, que era marido da Senhora Gilmar. Acrescentou que certo dia o Senhor Alcy e a Senhora Gilmar foram providenciar um documento numa repartição pública, e, quando lhes chegou a hora do atendimento, alguém os chamou: “Senhor Gilmar e D. Alcy”, pelo que o marido prontamente o corrigiu: “Senhor Gilmar e D. Alcy não, Senhor Alcy e D. Gilmar!”.

O meu amigo Pr. Itamar Santana Bezerra segredou-me que estivera em São Paulo, SP, e lá cumprimentara a Senhora Itamar. Disse-me que numa das igrejas em que atuou há um presbítero nomeado Sueli. Do seu tempo de atividade em Belo Horizonte, MG, lembra-se de ter estado com uma senhora de nome Pedra, feminino arranjado para o masculino Pedro. Relatou-me ter conhecido a Senhora Jurandir, quando eu mesmo sei de alguns homens que assim se designam.

À sua vez, o Pr. Walter Baptista disse-me ter pastoreado um casal formado pelo Senhor Osmar e pela Senhora Osmar.

Nos anos 60, celebrizou-se em Salvador, BA, um episódio de irmãs xifópagas. Uma delas tinha o nome Juracy, o mesmo pertencente a um famoso governador baiano daquela década: Juracy Magalhães.

Das terras mineiras vem-nos um exemplo de mulher apelidada Ananias. Difere do personagem bíblico de mesmo nome, porque este era homem e casara-se com uma mulher conhecida por Safira.

A ausência do sinal ortográfico til [~] pode gerar confusões. Tive um colega na Faculdade de Direito, que coincidentemente é pastor batista, cujo nome é Dilmã. À época, os computadores não falavam português, e, portanto, em nenhum dos relatórios informatizados grafava-se corretamente o nome dele, já que então não havia o diacrítico til. À partida, quando os professores ainda desconheciam os alunos, e se punham a fazer a chamada antes de iniciarem-se as aulas, pronunciavam como estava escrito: Dilma. Em lugar de Dilma, quem respondia era Dilmã, um respeitável homem barbudo que nunca morou em Brasília nem jamais teve contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União.

Magno Reis Andrade
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Magno Reis Andrade, protestante, brasileiro, nasceu em 17 de Junho de 1951, em Jequié, BA. Aos oito anos de idade, foi com os seus pais morar na capital baiana. Em 1969, foi admitido na Universidade Federal da Bahia, para, em 1973, bacharelar-se em Farmácia-Bioquímica. Com tal competência laborou até o ano de 1980, principalmente no Município de Bom Jesus da Lapa, BA. Lá, conheceu a sua futura esposa, a mesma que lhe daria as suas duas preciosas filhas. Em 1980, aceitou o desafio de trabalhar numa função pública municipal em Salvador, BA. Neste mesmo ano, ingressou no curso de Administração de Empresas, mantido pela Universidade Católica do Salvador, instituição que, em 1986, conferiu-lhe o respectivo grau de bacharel. Ainda em 1980, voltou à Universidade Federal da Bahia, para realizar o curso de Administração Pública, enfim, inconcluso por exiguidade de tempo. Mediante concurso público, em 1989 passou a exercer o cargo efetivo de Analista Judiciário no Tribunal Regional do Trabalho da Quinta Região, BA. Ao se reformar em Novembro de 2010, exercia há sete anos as funções de assessor jurídico no Serviço de Análise de Processos Judiciais, unidade organizacional de direto apoio à Presidência do Tribunal trabalhista. Em 1990, retornou à Universidade Católica do Salvador, desta feita para, em 1995, obter o grau de bacharel em Direito. Entre os anos de 1970 e 1973, integrou profissionalmente o Madrigal da Universidade Federal da Bahia. Gosta de idiomas, ama a língua portuguesa.

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Posted in: Conto, Crónica