Errante

Como uma adaga aguda, meus temores atravessam-me o peito,
Não adianta dizer-me: “Acalma-te, tudo ficará bem!”
Sou simplesmente escravo destes pensamentos.
Não queria ser, mas simplesmente negar o que sinto não faz esta nuvem escura desaparecer.
Não adianta disfarçar vestindo uma veste branca,
Meus dias são cinzas, minhas canções são fados, minha esperança tão frágil.
Não procuro tribulações, sou caçado por elas como um animal silvestre, totalmente entregue aos meus algozes.
Deus? Ele é esta força invisível que segura-me a mão insistentemente evitando uma queda livre num poço sem fundo.
Deus? É o amor com o qual e o qual amou a minha alma.
Deus? É o caminho seguro no qual dou meus passos trôpegos.
Deus? Ele é a compreensão do meu ser incompreendido.
Deus? É a esperança última na qual se apegou a minha alma.
Sigo na escuridão! Milhões de anos viveu Deus na escuridão antes de dizer “haja luz”. O meu Deus conhece o caos e as trevas por onde transita a minha alma.
Sinto-me cansado! Sinto-me perdido! Sinto-me ninguém!
Forças internas e externas, casualidades da vida, compreensíveis e incompreensíveis levam-me a este estado.
Orar? Minha vida é só oração!
Meditação? O silêncio é o que mais me rodeia.
Ler? Devoro os livros como a traça devora o papel.
Estou doente, reconheço.
Deus e somente Deus é o remédio que necessito.

por Luis A R Branco

Um pensamento sobre “Errante

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