Vil beleza

Dentre os vazos escolhi o menor
Para plantar a tenra flor.
Tão frágil era,
Que o simples vento causava-lhe pavor.

Junto à flor finquei uma vara,
Que ante a sua fragilidade,
Servia-lhe de um apoio
Que evitava a desgraça de uma queda.

Uma queda ou um vento mal disposto
Era a sua infeliz desgraça.
Um caniço morto fincado junto à flor
Denunciava a sua fraqueza.

Estar morta ou estar viva e bela?
Não é uma simples escolha quando se é frágil.
O bom seria ser bela e independente,
Mas isto a vida não a preservou.

Um caniço velho
É um companheiro indispensável
Na vida vil de uma flor
Cujo propósito está em ser meramente bela.

por Luis A R Branco

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s