Provérbios e prosas IV


Nunca me amaste,
Amaste a ti mesmo
E usaste-me para consolar teu coração entorpecido.

Meu tio casou sete vezes,
Mais ou menos, não sei.
Continua a casar, mas se ama, possível será?

A orquídea ressequida na mesinha de canto floresceu,
Não há quem resista um bocado de cuidados seus.
À planta trouxeste a vida que todo coração solitário necessita.

Mamãe lavava a roupa no tanque,
Tinha que lavar, quarar, lavar e secar. Depois passava tudinho.
Era a vida sofrida das mulheres pobres de lá.

Sofrida é a dor de quem já amou,
O melhor é não amar,
Mas quem há que consiga ficar com o coração por entregar.

O aproveitador fingiu amar a mulher mais velha e gordinha,
Ela o fazia andar como galã.
Quando a traiu e sua mentira se descobriu, três tiros certeiros deram fim ao larápio de sentimentos alheios.

As vezes amo depressa, outras vezes devagar,
O amor é igual a certas fruteiras as quais nunca sabemos se dá.
Seu der é sorte, se não der nem sempre é azar.

Seu Manuel tinha amantes, mas não era do pior que há,
Era ruim feito doença brava, não parava nem para conversar.
Um dia teve um in farto, nunca mais pôde andar, aí dele se não fosse a santa da mulher traída para o ajudar.

por Luis A R Branco

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