Provérbios e prosas I


É por se falar muito
Que ouve-se pouco.
A vida é curta para tantos amores,
Tal como é curta para tantos desamores.
Resolvi amar nem muito e nem pouco,
Apenas na medida certa.
Atravessou-me frio o punhal que tua mão empunhou!

Fiquei feliz com o cavalo que meu pai comprou,
Depois de todo o preparo saí menino a galopar.
Não tenho lembranças se o cavalo era feio ou bonito,
Apenas saí a galopar!

Amei a menina bonita do meu primeiro ano de escola,
Nunca lhe contei, nem a ninguém o meu amor.
Passou tão rápido,
No quarto ano já não me lembrava dela.
A sinergia que dá força ao amor,
É a mesma que dá força ao esquecimento,
Ninguém morre d’amores.

Meu avó plantava feijão,
Eu seguia na frente cada qual com o seu sementeiro.
Não vi o feijão crescer,
Estava ocupado demais com as brincadeiras de menino.

Quem tem sempre a razão,
Afinal não tem razão alguma.
A vida é um amontoado de palavras,
Umas doces e outras amargas.
Nada perfura mais do que uma palavra mal dita.
A palavra também é remédio,
Mas sua cura é lenta.

Vovó contou-me quase todos os contos que sei,
Mas para ouvi-la cantar tinha que lhe pagar com doces.
Meus pais diziam que vovó não podia comer doces nem açúcar.
Que maldade! É por isto que eu sempre lhe dava mais.

Amor não é a barra de ferro fria e forte que segura a ponte.
Amor é a linha fina com a qual mantemos o papagaio no ar
Em sua teimosia contra o vento.
É preciso manejar a linha, o braço e o papagaio,
Já o vento, este segue indomável
Sem se saber de onde vem ou para onde vai.
Amor é sentimento lançado ao vento.

Quando cresci fui morar fora para estudar,
Mamãe chorava em cada partida e em cada chegada.
Chorou vinte e um anos!
Eu chorei uma única vez quando ela partiu para nunca mais voltar.

Uma bela poesia deve seguir as regras da métrica e rima,
Portanto, não sei poetizar!
O que faço é externar sentimentos,
Transformar em palavras o momento,
Falar de mim como se fora outro
E de outro como se fora eu.
Não, não tenho poesias, tenho versos!

O machado do meu pai era pequeno,
Perto da árvore que era grande.
Podada de galho em galho cedeu a árvore
E venceu o machado.

Amor não se obriga,
Amor acontece ou não acontece,
Aconteceu ou deixou de acontecer.
Quando o amor esfria nada segura,
Quando o amor aquece nada o separa.
Ama enquanto há tempo,
Pois o amor de muitos esfriará.

Quando chovia e relampeava,
Vovó nos punha de joelhos à rezar.
Aos domingos em cortejo familiar seguíamos para a igreja matriz.
Hoje sou só saudade daqueles dias que religião e família eram sinónimos.

por Luis A R Branco

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