Neoxamanismo

Posted on 8 de Outubro de 2016

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Um dia destes enquanto estava no Brasil, um amigo, para mostrar-me o nível do evangelicalismo brasileiro, mostrou alguns programas evangélicos na televisão. Alguns já conhecia, como o R.R. Soares e seu estilo Silvio Santos. Valdemiro Santiago, este é repugnante, deveria narrar rodeios. Silas Malafaia e seu estilo Ratinho, com sua teoria ultrapassada do XY e XX, insiste em deixar de lado uma pesquisa de Harvard que durou vinte anos e apresentou ao mundo as evidências do cromossomo XYY. Vi as “Penélopes Charmosas”, como Aline Barros, Ana Paula Valadão e companhia. Vi Caio Fábio e sentado na sua cadeira de vime, com uma bengala na mão e chapéu, parecendo uma manifestação de Preto Velho com Alan Kardek. Os pastores da moçada, não há púlpito nem Bíblia na mão, mas tudo meio show com multimídias, canhões de luz e auditório escuro.Tem para todos os gostos, inclusive os conservadores.

O que todos estes pastores televisivos e outros que lá não estão possuem em comum? Chama-se neoxamanismo. O neoxamanismo é “neo”, pois se apresenta com novas nuances, entretanto o xamanismo é uma prática antiga, onde um indivíduo coloca-se como o mediador absoluto entre a entidade divina e a entidade humana. O xamã é herdeiro de uma série de poderes, ou suportou iniciações indesejáveis pelos homens, por isto “passuem poder” para quase tudo. O xamã, em nossas mentes, tradicionalmente, é alguém ligado a uma tribo animista em algum lugar remoto. No entanto, na história a figura do xamã sempre foi urbana, a serviço dos reis e poderosos. O neoxamanismo trouxe de volta esta figura para o perímetro urbano, como também trouxe uma espécie de neoanimismo.

Em um dos programas que vi com meu amigo no Brasil, vi um neoxamã, pastor ou sei lá que nomenclatura ele utiliza, atirando água de um copo no rosto de uma mulher que bem podia ser sua mãe pela idade. Vi também quando este cuspiu num copo com água e deu para uma mulher beber. Isto é evangelho? Nunca! Vivemos na época do neoxamanismo, cuidado para não ser enganado por um destes.

por Luis A R Branco 

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