Jair Bonsonaro presidente?

O Deputado Jair Bonsonaro, apesar da sua extravagância, sempre teve meu apreço. É um guerreiro solitário a lutar contra hostes maquiavélicas na Câmara do Deputados contra causas que o mundo já absorveu como norma, e, por princípios que o mundo já relativizou.

Entretanto, ainda com todo meu apreço por sua pessoa, devo dizer que ele foi infeliz ao dedicar seu voto à Carlos Alberto Brilhante Ustra. O que causou indignação não só na oposição, mas em muitos outros, inclusive apoiadores seus.

Há gostos que devemos guardar só para nós mesmos e para os mais chegados. Agora anunciar seu favoritismo em alto e bom som em cadeia nacional de televisão por alguém que comprovadamente foi um torturador foi um ato infeliz.

A tortura, seja de quem for, jamais deve ser louvada. Em primeiro lugar jamais louvar a tortura de pessoas de bem, apenas por serem ideologicamente diferentes de nós. Em segundo, nem mesmo as pessoas do mal, pois pagar mal com mal, só fortalece e legítima o mal. E nossa geração está longe dos acontecimentos da ditadura militar no Brasil. Jair Bonsonaro tinha nove anos nesta ocasião. Além da distância temporal, temos a escassez dos fatos. Sejamos honestos, nenhum dos lados desta infeliz história deixou-nos documentos fiáveis quanto aos fatos.

O que restou? Pessoas, que independente das suas posições partidárias e ideológicas ficaram com feridas em suas memórias, possivelmente, psicologicamente afetadas de forma crônicas. E aqui, incluo os torturadores, pois não acredito que uma pessoa que leva o outro a um sofrimento extremo seja capaz de dormir em paz. Restou a miséria humana de ambos os lados, mas que enquanto houver pessoas que defendam os atos dos torturadores e os crimes dos torturados não conseguiremos ultrapassar. Este foi um período de trevas da história brasileira e devemos ultrapassá-la e não resgatá-lo com fins políticos seja o partido que for. Se seguirmos a regra do olho por olho, terminaremos num país de cegos.

Jair Bonsonaro tem seu papel político no Brasil, seja como Deputado ou Senador, mas seu comportamento e sua oratória não permite-me vê-lo como uma pessoa capaz temperamentalmente de governar um país tão complexo, tão diversificado, tão imaturo politicamente como o Brasil. Bonsonaro terá meu voto, como candidato a Deputado ou a Senador, mas não como Presidente da República.

Sei que ele luta por boas causas, mas por outro lado acaricia a perversidade humana que levaram outros ao sofrimento. É preciso compreender que há coisas que são prerrogativas apenas de Deus, tais como inflingir sofrimento e tirar a vida de alguém. A conversa de que o outro faz e por isto devo fazer também é tão perversa quanto a primeira. Usar o mal contra o mal só o fortalece.

Concluo com a análise de que Bonsonaro perdeu uma boa oportunidade de dedicar seu voto à sua família ou aos milhões de brasileiros que o assistiam.

por Luis A R Branco

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16 pensamentos sobre “Jair Bonsonaro presidente?

  1. Foi infeliz o elogio ao coronel Ustra?!
    Sei, por ti, da galinha se Stallin, da penúria do povo Albanês e muito mais.
    Tortura não é justificável, morte por doutrina também.
    Não defendo atrozes; o tal de guevara, o tal de marighella;
    Bolsonaro foi infeliz no discursar? SIM!
    O senhor doutor sabe que é discurso político.
    Nós, apoiadores dele, não defendemos práticas desumanas.
    Defendemos a família, o lar como o gênese, a educação e não doutrina, o direito de se defender e o principal:
    O voto impresso a partir de 2018 –
    http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/06/camara-aprova-pela-primeira-vez-emenda-de-jair-bolsonaro.html
    Como todo estrategista ele almeja a vitória.
    Deixo uma pergunta:
    A quem eu, dito de direita conservadora, recorro?
    Grato.

    • Meu amigo, como já afirmei inúmeras vezes, não consigo ver política de “direita” ou de “esquerda” no Brasil. Ao meu ver está uma coisa só. De um lado temos uma libertinagem promovida por este atual governo, mas por outro lado temos fundamentalistas que querem restabelecer a caça às bruxas e levar a sociedade a força a idade média. A escolha será difícil.

      • Meu amigo, fui também infeliz em meu comentário.
        Estou grato.
        Para não termos imperadores, e nem senhores feudais; concordo.
        A escolha será difícil, muito difícil.

      • Vicenteqf e Dr. Luis, não posso escapar-me, ou ser omissa deixando de lhes parabenizar belos exemplos que deixaram registrados aqui neste espaço. Parabéns caríssimos! Dr.Luis mencionou domínio próprio, e vocês dois acabaram de aplicá-lo.

  2. Não entendi que ele defendeu a tortura, mas sim, um líder que por ironia carrega este título. Mas, também achei tolice da parte dele. Queria porventura, provocar os ânimos? Gosto dele, mas sei que é impetuoso e muitas vezes tempestivo, o que é bem peculiar de seu temperamento. E, sabendo-se de que ele age compulsivamente se torna um grande alvo para ataques. Um bom presidente? Creio que sim, mesmo não tendo tanto apoio no Congresso Nacional.

  3. Caro doutor, de fato não devemos justificar um erro com outro. a imparcialidade é um elemento difícil num julgamento, onde há mágoas e interesses. Todos os deputados foram infelizes em oferecer sus votos. Todos!! a votação não exigia justificativas. Todos estiveram errados.
    Quanto ao comentário de Bolsonaro sobre o cel. Ustra (que não conheci a vida, nem o caráter, portanto não posso dizer que foi torturador ou não..), penso que não necessitava acirrar os ânimos.. penso que ele tem um ímpeto forte e provocativo e isso é um ingrediente contra producente para um pais rachado ao meio. Entendo que as pessoas desejam compensar com suas opiniões, tudo que temos sido obrigados a aceitar desses ditadores de agora. Você tem razão em dizer que não há políticas de direita ou esquerda no Brasil, há sim, somente esquerda em destaque. Há políticas de corrupção e erros, de imoralidade, de hipocrisia. Mas claramente É ESQUERDA SIM.
    O deputado Bolsonaro tem sido uma voz criticada. Mas eu o admiro em muitos aspectos.
    Vivi nos anos de regime militar, os melhores de minha vida. Tive liberdade, segurança, e me lembro de um país próspero como nunca. Andava nas ruas sem medo e JAMAIS me senti ameaçada ou convivi com pessoas decentes que tenham sido perseguidas. Como Mari, aqui em cima, não vejo que Bolsonaro tenha feito apologia à tortura, mas penso que ele não foi feliz no comentário. Ótima postagem. Abração!

    • Às vezes penso Mônica Torres e demais comentaristas/Dr. Luiz, que esta segurança que vivemos naquele período, do qual lembro bem e tinha muito incentivo à pesquisa bélico como em outros segmentos…. Bem, penso: Será que a violência aumentou por causa do modernismo ou pela mudança de governo? Lembro que literalmente eu chorei quando João Figueiredo aumentou (dobrando) o preço do gás de cozinha. Aquilo deixou-me muito preocupada com os novos dias. Ainda jovem adolescente não podia aceitar que a criança nascia devendo,. Uma cratera a dona dívida externa!

      • Por certo houveram erros, Mari. O choque do petróleo em 79 fez a dívida externa disparar para mais de US$ 100Bi. Mas João Figueiredo procurou combater a crise com programas agrícolas e de habitação. Era ruim “nascer devendo”, mas o problema para se resolver era a economia.
        O governo militar não nos é adequado, porque não é função de exercito, governar, mas não podemos negar que nossos maiores avanços foram naquela época. E apesar de todos os problemas na economia, tivemos um PIB de 14%, bem diferente do negativo de agora.

      • Creio que a violência aumentou porque os governos que seguiram após o Regime Militar fizeram vista grossa para o desequilíbrio social, ignorou a juventude, deixou as fronteiras, e ainda deixa, abertas para o tráfico de drogas e de armas, falta de investimento na educação e na criação de novas oportunidades. Leonel Brizols construiu um projeto gigantesco para educação no Rio de Janeiro, com a construção dos CIEPS, projeto que foi abordado pelos governos seguintes e os CIEPS prontos para entrar em funcionamento foram abandonados às moscas. A violência não tem uma única origem.

      • Apenas notifico aqui a responsabilidade de governo. Vejamos a ponte Rio/Niterói e outras construções. Hoje se constrói uma ciclovia que desaba; um viaduto que desaba antes de terminar em plena copa do mundo, na capital mineira. Sem mais exemplos.

    • Obrigado pelo comentário, também tenho apreciação por Jair Bonsonaro, ele é uma figura indispensável no congresso, seja como deputado ou senador. Eu votaria nele para estas funções. Mas para presidente não, pois não vejo nele domínio próprio. Concordo com você quanto a presença maciça da esquerda na política brasileira. Fui vizinho do Presidente Figueiredo, numa casa que ele possuía em Petrópolis, RJ. Na qual chegava naqueles helicópteros da Força Aérea enormes e que encantava a minha imaginação de menino. Corríamos ao lado do carro do Presidente Figueiredo que retribuía o gesto com sua gentileza. Também sentia-me seguro naqueles dias. Quando Figueiredo deixou a presidência e Tancredo Neves iria assumir estávamos eufóricos, mas sua estranha doença e a presidência de José Sarney foi surreal. Nossa moeda nunca fora tão desvalorizada. Dos presidentes mais recentes dos quais tenho apreciação está Itamar Franco, ignorado propositadamente pela mídia e política atuais. Este que foi o verdadeiro pai do Plano Real.

      • De fato pensamos iguais e temos alguns gostos idênticos como “Cecília Meireles”. Tenho um conterrâneo amigo da PF. Aposentado, sempre está em nossa terra e acho incrível como ama aquele lugar, mesmo tendo conhecido grande parte do mundo, fazendo também segurança de presidentes da República (outros). Segundo ele, o melhor presidente a se tratar foi o Itamar e não somente ele, como também as suas filhas e parentes. São ótimas pessoas no trato.
        Já, a mineira atual não faz jus às suas raízes de Minas, pois esta é a nossa característica (hospitaleiros).
        Por razões de fidelidade não fala dos piores.
        Sim, a estranha doença. Minha amiga era repórter da Veja nesta época e estava a 3m de distância do Tancredo.
        DIVERTICULITE!

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