Necessidades

Posted on 30 de Abril de 2016

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Estávamos com uma equipa de missionários de várias regiões da Índia num projeto de evangelização à turistas que viajam à Índia para desfrutar das suas praias. Éramos um grupo de umas doze pessoas.

Na ocasião a Índia ainda não possuía caixas ATMs e tudo nos bancos eram feitos manualmente, nossas contas eram registadas em enormes livros de papel. As também, as lojas não recebiam pagamentos via cartão de créditos. Toda transação no país era com dinheiro vivo.

Quando íamos receber nossos salários através do único banco na cidade que aceitava cartão de crédito era uma maratona de um dia. Íamos ao banco, recebíamos uma ficha de latão com um número e ficávamos a aguardar sermos chamados. Quando chegava a nossa vez, nossos dados eram registados num livro, dizíamos o valor que queríamos levantar com o cartão e éramos solicitados que aguardássemos. O banco então enviava um telegrama ao seu correspondente em Cingapura que por fim faria contato com a empresa gestora do nosso cartão de crédito no Brasil solicitando autorização para que levantássemos o valor solicitado. Depois a comunicação seguia o fluxo contrário até chegar ao banco onde estávamos e assim recebíamos o dinheiro, depois de pagar uma taxa pelos serviços do banco.

Eu era o líder desta equipa missionária. Um dia pela manhã o cozinheiro veio falar comigo que a comida havia acabado, não restava mais nada para o almoço. Eu não tinha dinheiro algum nem na Índia nem no Brasil. Naqueles dias gastávamos 1100 rúpias com alimentação por semana.

Sem dinheiro e sem ter onde buscar, saí para uma caminhada de oração e com o coração pesado, pois não era apenas eu, mas nossa equipa que seria afetada com a falta de recursos. As palavras em oração foram poucas, mas a caminha foi longa e pesada. No caminho de volta para casa, vivíamos num prédio onde éramos os únicos moradores e a entrada era por trás, de maneira que ninguém passava por ali a não ser nós mesmos. Quando aproximei-me da entrada do prédio vejo no chão, junto à um canteiro de flores algumas notas de dinheiro abaixei-me para pegar as notas, eram novas e limpas. Olhei em todas as direções para ver se havia alguém que pudesse ter perdido o valor, mas como já disse, por ali não passava ninguém. Com as notas nas mãos cheguei em casa e perguntei a todos se haviam perdido algum dinheiro, a resposta foi negativa. Resolvi contar as notas e havia exatamente 1100 rúpias, valor que precisávamos para aquela semana. Não tenho dúvida que foi uma provisão de divina para as nossas necessidades.

Por Luis A R Branco

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Posted in: Crónica, Curtas