Chegada à Malásia

Posted on 16 de Abril de 2016

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Havíamos chegado ao posto da polícia de fronteira em Satun, extremo sul da Tailândia, nosso objetivo era atravessar o canal entre a Tailândia e a Malásia e chegar até a cidade de Kuala Perlis. Não havia nada naquele posto a não ser os guardas da fronteira e alguns pescadores que iam e vinham durante todo o dia. Chegamos pela manhã, pensávamos que havia algum tipo de transporte regular entre Satun e Kuala Perlis, mas ao chegarmos ali fomos desapontados com a notícia de que não havia conexão entre as duas cidades. 

Cris e eu não tínhamos como voltar e nem seguir adiante. Passamos o dia dormindo nos bancos do lado de fora do posto policial e a jogar conversa fora com os guardas. O dia findava e nós ali à espera de alguma alternativa, foi quando fomos informados que um pequeno barco, ou melhor, uma grande canoa estava para sair em direção a Kuala Perlis levando alguns imigrantes que iriam tentar a vida no outro país. Depois de convencer o dono do barco e pagarmos o valor exigido, partimos naquele pequeno barco, enfrentando o vento e as ondas do alto mar daquela região. As ondas batiam contra o barco, entravam na embarcação e a água era novamente deitada ao mar pelos passageiros que usavam pequenos potes para este fim. Confesso que estava bastante apreensivo, mas para aquela gente, acostumados com aquela viagem, tudo parecia-lhes normal. 

Foram três horas de viagem, que pareciam dias até que avistamos a costa da Malásia. A partir daquele ponto uma lona foi jogada sobre os passageiros numa tentativa de esconder-nos da guarda costeira da Malásia. Uma tentativa frustrada, pois fomos avistados pela guarda que usando finais luminosos e sonoros advertiam os dono do barco para dirigir-se para o posto policial de Kuala Perlis. Ao chegarmos à lona foi removida pela polícia e os imigrantes separados, uma vez que Cris e eu éramos não asiáticos, fomos conduzidos até o posto policial onde fomos informados que aquela atravessia era ilegal, com o agravante de não termos vistos para entrar no país fomos detidos pela polícia. Na verdade não tínhamos a mínima ideia se precisávamos ou não de vistos e se entrar no país daquela forma era proibido. Mas bastou alguns minutos na polícia para saber o quão ingénuos éramos nós.

A sorte foi que naquela ocasião, anos 90s, o Brasil ainda jogava bola e o Michael Jackson ainda fazia sucesso. Desta forma eu fui liberado por causa dos jogadores de 1994 e meu amigo americano por causa do Michael Jackson, todos famosos ali na polícia. Uma vez em Kuala Perlis, soltos, saímos pela rua na esperança de encontrarmos alguns cristãos. Esta parte contarei depois!

por Luis A R Branco

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