Somos brasileiros antes de sermos homens

Posted on 30 de Março de 2016

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Na verdade tomei a frase acima emprestada do filósofo português José Gil ao referir-se a identidade dos portugueses dentro de alguns pressupostos de vertente exclusivamente lusitana. No entanto, a frase “somos brasileiros antes de sermos homens”, aplicarei à nossa realidade enquanto povo, sem contudo, importar nada para além desta frase de José Gil para refletir sobre a nossa realidade.

Quanto a nossa identidade, somos certamente muito mais brasileiros que homens. Isto pode ser visto com a facilidade com a qual nos consideramos superiores aos demais povos, chegamos inclusive ao cúmulo de conferir a Deus a nacionalidade brasileira, por isto dizemos que “Deus é brasileiro”. Talvez seja de certa forma reflexo do regime militar no Brasil que nos nacionalizou muito mais do que humanizou. Nos jogos da Copa do Mundo, antes mais do que hoje, quando ainda se jogava bola de verdade no Brasil, pintávamos praticamente o Brasil inteiro de verde e amarelo, algo que durante aqueles dias até ficava bem, mas depois que passava, ficava aquela coisa horrorosa pelas ruas. No exterior é fácil identificar os brasileiros, não só pelo comportamento, mas pelas vestimentas, pois fazemos questão de exibir nossos símbolos. Nas ruas movimentadas de Londres, quando você avistar algo amarelo à sua frente, as possibilidades de ser um dos nossos conterrâneos é muito grande. Somos brasileiros, queremos ser notados e enaltecidos por isto como se isto fosse algo mais extraordinário do que ser boliviano ou alemão. Estamos convencidos que temos a melhor gastronomia do mundo, que somos os mais simpáticos e adaptáveis em qualquer cultura, estamos convencidos que as mulheres brasileiras são as mais belas do mundo, etc. Mas tudo isto não passa de utopia!

Sim, somos pentacampeões no futebol, mas quem inventou este negócio foram os ingleses, que juntamente com os espanhóis possuem as melhores equipes de futebol do mundo. Nossa gastronomia é boa sim, e amo um prato simples de arroz, feijão, bife e salada. Mas espere até você chegar à Itália, França ou Grécia e depois perceberá que precisamos ser mais humildes neste quesito. Dificilmente você diferenciará um norueguês, inglês ou americano ao vê-los pelas ruas das grandes metrópoles até que abram suas bocas. O brasileiro não, este é visto de longe. Quanto às mulheres, sim, nossas brasileiras são lindas, mas espere até você ver as suecas. E desculpe desapontá-lo, Deus definitivamente não é brasileiro.

Tudo isto faz parte da nossa subjectividade neurótica e que tem tudo para virar psicose. Enquanto os brasileiros não compreenderem que precisam importar valores, aprender com outros povos, ser mais humildes, continuarão a ser mais brasileiros e menos homens. Qual a diferença? A diferença está no fato de que ser homem faz com que nós busquemos aprender com outros povos, sejamos menos intensivos, sejamos mais realistas, mais éticos, mais verdadeiros.

O que vemos hoje na política brasileira já é a tão temida psicose que afeta nossos políticos. Eles não se importam nem um pouco com os homens, são brasileiros demais para isto, brasileiros cheios de manias e defeitos. O brasileiro criou atalhos na lei, na política, na ética – É o tal jeitinho brasileiro. Enquanto que, se agíssemos como homens, nenhum destes políticos ou a maioria deles jamais teria chegado ao poder. É uma bebida desgraçada de ruim esta política brasileira, mas fomos nós que a criamos e com ela nos embebedamos. O que vejo nas ruas é uma nação entorpecida e que ninguém ouve. Será que há esperança? Só se tornarmos-nos homens antes de sermos brasileiros.

por Luis A R Branco

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