Que seria de nós sem o socorro daquilo que não existe?

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Um dos pais da espiritualidade, Thomas Merton, relata uma cena angustiante em sua autobiografia, A Montanha dos Sete Patamares, que um dos dias mais difícil da sua vida foi quando ainda jovem foi visitar sua mãe que morria com câncer (cancro) num hospital e ao vê-la naquela agonia saiu do hospital por uns instantes e foi acometido por uma angustia ainda maior, pois descobriu que não sabia orar e nem a quem orar. Imagino a angústia de uma alma que em determinados momentos da vida deparam-se numa angustiante e semelhante encruzilhada. Orar é um privilégio sem igual. O Apóstolo Pedro convida-nos através da oração: “…lançando sobre ele (Jesus) toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” A semelhança de Thomas Merton, acompanhei os últimos dias de vida da minha mãe, mas já mais velho e sabendo à quem orar. Lembrei-me do velho hino diz: 

Se paz a mais doce me deres gozar
Se dor a mais forte sofrer, oh! Seja o que for,
Tu me fazes saber que feliz com Jesus sempre sou!

A oração retira de nossos ombros fracos o peso da ansiedade e o coloca sobre aquele que é mais forte do que nós. E não podia concluir sem citar Paul Valéry: Que seria de nós sem o socorro daquilo que não existe? 

por Luis A R Branco 

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