Entrevistas com José Carlos Bortoloti

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1.- Uma pergunta direta para um educador. Como vai a educação no Brasil hoje?

Nobre e admirado professor doutor Luís A. R. Branco, estimadíssimo brasilês/português; Simploriamente? Não vai. Já morreu, literalmente, ao povo ignorar seu meio mais precioso, a educação familiar, do qual foi sua primeira formação, e tal qual Jung, deixar que seu “inconsciente coletivo” tivesse muito mais valorização do que tudo que aprendeu.

Sou do princípio básico: Educação é a que vem de casa, da família, dos pais. Estatisticamente está ligado ao fator de crescimento e amadurecimento do ser. Até os 13 anos (quando ainda, folcloricamente, dizemos que os meninos estão na idade “Problema”, criando a acepção de “aborrescentes”), nos anos setenta as famílias não identificaram que nesta idade ocorre a transição da família para a sociedade. E estes meninos (meninas mais cedo hoje) começam a não querer mais: o modo de pentear e vestir da mamãe, as regras de estudo com horário do pai, o auxilio nas tarefas da família, a união até em oração da família… Tudo isto gera um choque no adolescente ao entrar e tentar ser “como os outros” que agora circula, através do meio social, do bairro, dos clubes ou da escola. E entra uma espécie de rebeldia. Ele passa a se vestir como os outros, materiais e até a “fala” se diferencia da origem. Tudo entra em choque entre o familiar e o “meio dito social” do qual começa a fazer parte.

Aqui entra a escola, como auxilio do repasse de informação que gera conhecimento, para que o indivíduo comece a utilizar seu entendimento para compressões, fazer uso do discernimento, e a partir disso, começar a ter um raciocino, um sistema de ideias próprias, que os ajudem a interagir com o todo.

Os EUA são o exemplo de que quanto isto ocorreu e as escolas não sabiam o que fazer criou o “Home School” – Literalmente a “escola em casa”. Tudo por que começaram a sentir, “na pele”, que seus filhos não estavam recebendo nas escolas – publicas e privadas – a complementação de conhecimento que sua educação requeria. Com isto este movimento que se tornou nacional para os estadunidenses, fez com que as escolas (muitas fecharam) e com a atuação do Congresso Nacional, se revisasse completamente os sistemas de estudos no país.

Enquanto os estadunidenses faziam isso, no Brasil entra Paulo Reglus Neves Freire. Como currículo pode-se dizer que foi um educador, pedagogista e filósofo brasileiro. E até considerado um dos pensadores mais notáveis na história da Pedagogia.
Com Freire entra o Gramscismo, Sim Freire traz toda a metodologia de Antonio Gramsci, filósofo marxista, jornalista, crítico literário e político italiano. Escreveu sobre teoria política, sociologia, antropologia e linguística.

E isso, nobre Professor doutor Branco, foi introduzido aos pouquinhos no magistério – antigo curso de professores no Brasil – e também aos poucos, quase tal como uma síndrome de borderline, pelas bordas foi “infestando” toda a academia nas próximas duas décadas. Somente poucos educadores tomara consciência disso. Mas como eram poucos não adiantou.

Tudo estava sendo preparado para que a Cartilha Leninista, uma espécie de “bíblia” petista, para que quando chegassem a presidência da República, tudo já estivesse em andamento.

Foi exatamente assim que, literalmente, destruíram todo um sistema de educação que hoje está aí, para ficar atrás apenas de um ou dois países dos mais atrasados culturalmente do mundo.

Então como resumo, Nobre amigo, posso dizer: A educação no Brasil… Não vai! Morreu. Precisaremos de 3 gerações (estatisticamente uma geração equivale a 25 anos) para arrumar toda a bagunça feita na cabeça de uma geração inteira.

2 – O Brasil tem falta de profissionais na área da saúde, na engenharia civil e outras áreas, tendo que importar estes profissionais do exterior, se estamos sem profissionais hoje, é porque já há algum tempo deixamos de formar profissionais suficientes para a demanda no Brasil. Onde está o Problema? Estamos preparando hoje os profissionais de amanhã?

Estimado amigo. Para todas as questões acima a resposta é não. Infelizmente.
Não temos falta de profissionais. Mas com o resumo da primeira questão logicamente já respondo a esta. Pois os profissionais foram preparados desde o ensino básico até a academia com este tipo de “de” formação em todos os aspectos, sendo o da personalidade o mais preocupante.

Claro que temos exceção que consegue fugir de todo este tipo espúrio de pseudoregramento esdrúxulo feito por este “governinho socialistazinho” de quinta categoria (não confundir a esquerda europeia com a brasilesa – gigantesca diferença). Estes por terem um berço familiar sólido, tiveram também a preocupação após constatação dos pais do que estavam ocorrendo e tiveram, para não entrar em choque com o sistema, um outro sistema:

Explico: Os pais ao reconhecerem a falta de capacidade dos professores (formados a partir disso e com o sistema de Freire) mandavam seus filhos a escola, para não chamarem a atenção, mas também se preocupavam em dar a complementação do que notavam ausente em um ensino de qualidade. E isto com professores e cursos particulares. Notem que aqui não estou me referindo a uma classe privilegiada. Muito pelo contrário. Todos os exemplos verificados no Brasil são da antiga classe média (antes do governo socialista).

Estas famílias tiveram uma preocupação tão gigantesca que muitos de seus filhos hoje estão cursando mestrado na Europa ou então no Famoso MIT – Instituto Tecnológico de Massachusetts, nos EUA -.

Em meio a toda esta visível bagunça da educação, é claro que no meio salvaram-se alguns heróis. Estes professores que não deixaram a “lavagem cerebral” ser feita, se tornaram raros, mas acabaram desistindo um pouco mais tarde, na década de noventa, pela pressão dos ditos “novos formadores educacionais da nova pedagógica dita como construtivista”. Mera titulação paupérrima de algo inexistente.

Para não me alongar. Seus ultimas questionamentos sobre a tal “importação” de “profissionais” que se deu nas áreas médicas foi somente uma forma de acabar com o sistema de saúde, pois o da educação já estava sob controle.

Não precisamos importar nada. Temos e com excelência aqui. Mas disponível para poucos mercados que não dependem do governo, como agricultura e poucas outras áreas.

O problema tem uma origem somente: MEC: Ministério da Educação e Cultura e seu governo socialista (está mais para comunista de quinta categoria – se é que existem categorias nisso do que qualquer outra coisa).

3 – O atual governo petista, vendeu a falsa imagem de que melhorar a vida é ter acesso ao crédito e aos programas assistencialistas. Por que o governa petksta não investe em educação como um meio digno de promover uma qualidade de vida melhor ao preparar os brasileiros para o mercado de trabalho.

Suas questões, agora, têm as mesmas respostas, mas afirmativas. Sim, não só vendeu a “falsa imagem”, como a implementou. E somente eram assistencialistas até eles se locupletarem particularmente depois tudo acabou como está até hoje.

Investir em educação significa ajudar o cidadão, o jovem neste caso a pensar. E isto é tudo o que um comunista não quer. Pensadores! De forma alguma. Eles querem “gado” para serem manipulado e levado das “pastagens” aos “frigoríficos”, neste caso os eleitorais, como forma de perpetuarem-se no poder.

O que já ocorre há 13 anos, ou metade de uma geração no poder, sem falar sua preparação socialista/comunista que já tentou em 1964 fazer o que estão fazendo hoje. Porem à época os Militares deram o que chamamos de “contra Golpe”, (nunca tivemos Ditadura Militar, como venderam ao mudo todo – Eis mais um factoide produzido pelos comunistinhas) não permitindo que o que temos hoje iniciasse a quase meio século.

Enfim hoje o próprio brasilês esta cuidando de si mesmo. Se este governo fechar, não funcionar mais. Em todos os níveis, eu seria otimista em afirmar: O brasilês se daria muito melhor sozinho e faria coisas espetaculares. Trazemos na memória genética a alegria e o otimismo latino e isto esta na formação da gene do Brasilês. Damos conta sozinhos. Mas creio que hoje estão todos acordando de um sono latente.

4- Ouvimos sempre a reclamação de que os professores são mal remunerados, o que é de fato, mas como avalia a qualificação destes profissionais?

Sim e não. Sem ser indelicado, mas para não parecer prolixo, as respostas acabei já colocando nas duas primeiras questões. Não interessa a este ‘“governinho comunistinha”, ter professores de padrão elevado. Interessa que eles façam um cursinho tenham um diplominha e ensinem nas escolas a Grade Curricular imposta pelo MEC , “goela abaixo”. Mesmo a educação, assim como a saúde sendo tripartite. Ou seja: tem a participação da União, dos Estados e dos Municípios. Porém isto somente no tocante ao financeiro e repasse de verbas coletadas de impostos, apenas isso.

Fiquei cerca de três anos auxiliando professores com mestrado em Letras em três estados do Brasil. Santa Catarina, Paraná e sul do Matogrosso do sul, além do meu estado o Rio Grande do Sul.

Encontrei professores (repito mestres em letras) que não sabiam que o gentílico do Brasil é brasilês e que brasileiro (com sufixo “eiro” designativo de tarefas ou profissão) tinha sido utilizado no país como uma acepção, já que a nossa língua portuguesa brasilesa aceita. Ficavam espantados com a informação.

O Segundo grande choque cultural nestes estados para estes profissionais e outros em mesmo nível foi a de que não sabia que nosso Hino Nacional, em sua segunda parte estava errado tanto na grafia, quando no canto, com isso ofendendo o grande Manuel Osório Duque Estrada, um dos autores da letra. Ficavam perplexos e ainda “desculpavam-se” dizendo que constava exatamente assim em todos os lugares, desde o sitio oficial da Presidência da República até livros e dicionários. Quando descobriram que nossos dicionários contem erros de escrita e ortografia,

A segunda parte de nosso amado e lindo Hino Nacional do Brasil, começa exatamente assim:

“… Deitado TERNAMENTE em berço esplêndido…!”. E nunca ETERNAMENTE Afinal quem deita eternamente está morto.

A partir destes dois exemplos posso preencher páginas, nobre amigo, do que foi feito com a educação no Brasil nos últimos 30 anos.

5 – Se você fosse ministro da educação, quais seriam as três primeiras medidas que tomaria em seu ministério?

Jamais teria tal pretensão e confesso-te, nobre e bom amigo, não tenho a formação necessária para um cargo tão importante. Diria hoje, o mais importante do Brasil. – Mas, hipoteticamente: Começaria com um: Para tudo imediatamente. Nas férias escolares de verão (quase três meses, e mais um mês de férias de inverno – Este que só ocorre no sul do país) todos os professores entrariam em um curso de aprendizado completo, austero e emergencial de como tratar o aluno – aquele que busca conhecimento-, em seguida decidir com equipe de excelentes educadores que tipo de língua vai falar. Temos duas hoje. A língua Nacional por Lei. Sim se falar errado ou escrever erradamente no Brasil seria crime, já que estamos burlando a lei. (triste constatação) e o Acordo Ortográfico que está em vigor porem ainda não substitui a lei.

Assim quando você escrever terá que optar por uma das duas. Óbvio que terá que saber das duas. Se misturar? Erro crasso. Se não souber nenhuma o que é mais comum… Nada será feito. Então…

Uma língua, correção das aberrações em nossos símbolos. E reuniões permanentes com os três poderes: União, Estados e Municípios em um só objetivo: Como a Correia e o Japão fizeram (a Correia do bem, a outra não existe). E em 10 anos estaríamos no topo do mercado mundial.

Temos hoje no Brasil o maior mercado editorial do mundo. Sim. Pois aqui os livros escolares mudam todo ano e entram na estatística de editoração com todos os outros tipos de livros, sejam de autores quaisquer em quaisquer áreas. Os livros escolares mudam todos os anos, o que faz notar certa “máfia editorial” ligadíssima ao MEC. Todos ELES ganham. Menos a população Brasilesa.

Reuniões quase diárias com pais e famílias, fazendo retornar a ideia de que educação é em casa. Assim como respeito, valores, ética, enfim tudo aquilo que aprendemos de nossos quase ignorantes pais. Mas temos. E que a escola é a formação do cidadão e profissional que vai dar o que a Persona ainda necessita para a sua formação.
O resto? Mera propaganda política.

 

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José Carlos Bortoloti é jornalista de formação e atuação por mais de 30 anos, Especialista em Marketing, Planejamento Estratégico, Comunicação falada e escrita, Fez Geopolítica pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.

 

Escritor, articulista e colunista em diversos sítios no Brasil e Exterior.

Atualmente reside no norte do Estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Passo Fundo.

http://www.epensarnaodoi.blogspot.com.br
profeborto@gmail.com 


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3 pensamentos sobre “Entrevistas com José Carlos Bortoloti

  1. “…E estes meninos (meninas mais cedo hoje) começam a não querer mais: o modo de pentear e vestir da mamãe, as regras de estudo com horário do pai, o auxilio nas tarefas da família, a união até em oração da família… Tudo isto gera um choque no adolescente ao entrar e tentar ser “como os outros” que agora circula, através do meio social, do bairro, dos clubes ou da escola. E entra uma espécie de rebeldia. Ele passa a se vestir como os outros, materiais e até a “fala” se diferencia da origem. Tudo entra em choque entre o familiar e o “meio dito social” do qual começa a fazer parte.”

    Aqui começa a esfriar o amor dos filhos para com os seus pais… E então os pais sentem isto. Não há um manual. Já não confiam mais nos filhos que os tentam driblar de toda forma, pois os mesmos recebem instruções de ‘desorientadores’ escolares…

    Trabalhei numa escola, período matutino, faixa de 10 a 14 anos de idade e vi como eram “desorientados” a procurar o Conselho Tutelar contra seus pais que zelavam pelos seus filhos. A esta altura, a CARTILHA já era divulgada. Causou-me perplexidade e análise profunda de como conviver com as novas instruções. Confesso que é fácil contemplar tantas pérolas, tantas joias agora atiradas na lama.

    Vi pais que nunca mais esqueceram como seus filhos os expuseram ao ridículo, sendo que os mesmo receberam educação alicerçada no amor verdadeiro. Vi pais resignados, traídos e desconfiados. Até hoje acham que não são amados pelos seus filhos. Lágrimas, muitas, pois seus filhos foram impiedosos. Um grande trauma para os pais que movidos pelo grande amor, já não sabiam o que fazer para acertar, para reconquistar a paz.

    Não é falta de perdão, de entendimento, mas, sim, é a ingratidão que podemos oferecer aos nossos pais. Já não confiam porque sabem que seus filhos saíram do ECA para as faculdades diplomados pela arrogância, deboche, desprezo pelos pais.

    Acredito que os mais tementes a Deus, não viram seus filhos envolvidos eternamente em drogas e toda sorte de prostituição, porque lutaram. Norteados pelo amor continuaram, ainda que até hoje chorem, pelas palavras que ouviram. Contudo, não deixaram seus filhos serem aliciados por marmanjos.

    Desejo que acordem logo, pois a partir do momento que se burla um dos 10 mandamentos que na verdade são dois, todos os demais também estão corrompidos.

    A lição é mesma para os pais, que também são filhos!

  2. Perdão doutor e grande poeta a ausência de meu comentário direto, pois ao acompanhar seu trabalho, me pareceu já saber as respostas.
    Sinto que não me enganei.
    A

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