A academia vs A burocracia

Posted on 23 de Dezembro de 2015

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Qual é o objetivo de uma universidade? Atrair ou rechaçar alunos? Desburocratizar o acesso à universidade ou criar dificuldades no ingresso de novos alunos? Qual a diferença entre flexibilizar temporariamente analisando caso a caso e a completa frouxidão nas normas? Se a academia recebe mal as críticas aos seus regulamentos, como será capaz de promover o pensamento crítico entre os alunos?

Estas perguntas surgiram quando busquei dar continuidade aos meus estudos de pós-doutoramento na Universidade Fernando Pessoa no Porto, Portugal e defrontei-me com uma burocracia tal que nem mesmo Fernando Pessoa reuniria as condições necessárias para ingressar na universidade que leva seu nome. Uma hilária contradição.

Qual é o objetivo de uma universidade? Formar profissionais capazes de exercerem com excelência as suas vocações. Um país sem profissionais, sem pessoas capacitadas é um país destinado à falência em quase todos os seus segmentos. É portanto imprescindível que as universidade possuam um ambiente acolhedor e motivador para àqueles que buscam na universidade o saber. A relação fria, típica de uma repartição pública, desconfiada e burocratizada só tende a afastar àqueles que buscam formação. 

A academia deve atrair ou rechaçar alunos? Obviamente atrair! O sucesso da academia num país deve ser medido não pelo número de alunos que foram formados, mas sim, pelo número de alunos que deixaram de fora da academia. Quero dizer que pouco adianta se as universidades de uma cidade conseguem atrair dez mil alunos, enquanto outros noventa mil são deixados de fora da academia. Isto é favorecer um sistema de uma sociedade com classes privilegiadas e outra abandonada à sua própria sorte. 

Desburocratizar o acesso à universidade ou criar dificuldades no ingresso de novos alunos? A burocracia é uma forma subtil de manipulação das massas. Todo país burocrático é atrasado, toda empresa burocrática é destinada a falência, toda universidade burocrática é uma menos valia para a sociedade. Desburocratizar não significa um abandonar das normas e requisitos que regem a universidade. A minha experiência na Universidade Fernando Pessoa, onde fui impedido de fazer meu trabalho de investigação porque a instituição onde acabei de concluir meu doutoramento ainda não entregou-me o diploma, pois como é sabido, o custo de um doutoramento não é nada barato, portanto, no meu caso tal valor foi dividido em um determinado número de parcelas que ultrapassam em poucos meses a data do término da minha investigação. E também porque mesmo que todos os valores sejam quitados hoje, a universidade precisará de aproximadamente dois meses para entregar o diploma com todas as devidas legalidades. Entretanto a universidade conferiu-me uma carta de verificação da minha conclusão do curso, incluindo minha nota final para facilitar a continuação dos meus estudos noutra instituição. No entanto a mesma não foi aceite pela Universidade Fernando Pessoa por mera burocracia.

Ha casos e casos, quando uma instituição de ensino impede o ingresso de novos alunos devido a bestiais normas como esta, ela prova que sua motivação não está na formação, mas naquilo que podem lucrar com seus alunos, detalhe, a Universidade Fernando Pessoa para além da burocracia exige o pagamento integral do programa no ato da matrícula. 

Qual a diferença entre flexibilizar temporariamente analisando caso a caso e a completa frouxidão nas normas? A pergunta tem um resposta simples. A flexibilidade tem a ver com uma solução excepcional para uma questão que a curto prazo será resolvida de forma definitiva. A frouxidão das normas é o abandono absoluto dos requisitos. Ao questionar sobre esta premissa a Universidade Fernando Pessoa ainda tentou aplicar esta vénia, até que o professor que seria possivelmente meu orientador manifestou-se profundamente ofendido e radicalmente fechou as portas para mim pelo fato de questionar as normas. 

Se a academia recebe mal as críticas aos seus regulamentos, como será capaz de promover o pensamento crítico entre os alunos? A universidade que logo na porta já rebate negativamente uma crítica certamente será daquelas que tudo fará para impedir qualquer reflexão que represente um desafio para as suas posturas. A academia é lugar de reflexão, como professor há vários anos tenho aprendido a conviver com meus alunos mais críticos, descobri que nem sempre tenho a razão e que um aparente oponente pode vir a ser um grande amigo.

Quanto a mim, já sigo com a papelada noutra universidade, quanto aos que atuam como a Universidade Fernando Pessoa, hão de colher no tempo devido o fruto da sua incompetência.

por Luis A R Branco

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