A JUSTIÇA E A ECONOMIA

443_446A economia dos nossos dias está cada vez mais injusta, pois perdeu sua essência principal, ou melhor, perdeu seu rumo. A economia surgiu como uma proposta de administrar bem o lar e a sociedade, para que nada faltasse e não houvesse excessos de coisas que pudessem estragar. No entanto, hoje a economia tomou rumos que excluíram o equilíbrio entre a falta e o excesso. A economia da sociedade moderna posiciona-se em um dos dois extremos: os que têm menos são cada vez mais explorados e os que têm muito exploram cada vez mais. Não há uma boa gestão econômica com a finalidade da igualdade.

Mesmo na família, temos lares nos quais os excessos chegam a ser uma afronta aos que vivem na pobreza. Alimentos, roupas e toda sorte de bens são desperdiçados de forma assustadora. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, sigla em inglês) estima que, anualmente, sejam desperdiçadas, no Brasil, 26 milhões de toneladas de alimentos. É preciso uma mudança urgente, não podemos pensar em justiça sem incluir uma mudança radical nas nossas atitudes. A solução para esse drama do desperdício está em consumir menos e doar mais aos que precisam.

O mercado de trabalho também é responsável pela injustiça econômica, pois pessoas com deficiências físicas, anões, idosos, negros, mulheres, imigrantes, entre outras, são, muitas vezes, excluídas pelas empresas ou pelos empregadores, sendo privadas das condições dignas que um trabalho oferece. Aos olhos da economia moderna, o imigrante torna-se um problema por competir pelos empregos com os cidadãos de um determinado país.

O problema não se concentra apenas na exclusão, mas também na exploração dos trabalhadores. O grande número de horas trabalhadas, com uma alta exigência de produção, baixos salários e poucas condições de vida, tem destruído a dignidade humana.

É inadmissível uma sociedade em que um indivíduo que trabalha um mês inteiro, ao final dele, com seu salário, não consiga adquirir as coisas básicas para sua família. É inaceitável que os lucros das empresas sejam exorbitantes e que seus funcionários tenham pouca ou nenhuma participação neles. Os sistemas bancários também são extremamente exploradores, contribuem pouco para o desenvolvimento humano, mas são a causa do endividamento e da ruína de muitas famílias. E o que dizer dos custos de coisas tão elementares para a vida, como educação, saúde, vestimenta, alimentação, moradia, e até mesmo lazer – hoje inacessível a muitas famílias no mundo? Em sua mensagem, a igreja deve repudiar esse sistema que não é justo.

A Bíblia nos mostra que Deus está interessado em um sistema econômico e de desenvolvimento que seja justo e humano. Darrow Miller escreveu que “Deus começa a História plantando um jardim e a termina construindo uma cidade” (1999, p. 220). Não defendemos uma justiça econômica baseada na igualdade de recursos entre os homens, pois sabemos que isso seria impossível de alcançar aqui na Terra e que poderia levar a outras injustiças. Veja o que disse Paulo: “Se alguém não quiser trabalhar, também não coma” (2Ts 3.10). O esforço e o empreendimento de cada indivíduo e de cada sociedade devem ser considerados. Como bem escreveu David A. Noebel: “Justiça não se baseia na igualdade de recursos, mas na igualdade de oportunidades” (2001, p. 293). É necessário que exista oportunidade igual para todos e, dentro destas oportunidades, que cada pessoa seja livre para desenvolver suas habilidades e esforços, para seu desenvolvimento econômico.

Toda criança deve ter acesso a escola, todo jovem deve ter acesso a faculdade, todo homem deve ter acesso ao trabalho, toda família deve ter acesso a casa, comida, vestimenta e saúde – e, a partir dessa base de igualdade, a sociedade deve desenvolver sua economia. Noebel conclui: “E igualdade de oportunidade não significa que todas as pessoas devem começar com as mesmas capacidades e contatos sociais, mas que ninguém será proibido por lei de conseguir alguma coisa legitimamente moral no mercado de oportunidades” (2001, p. 293).

Nossa proclamação deve incluir a integração, a inclusão e a igualdade econômica. Leonardo Boff declarou: Em todos os problemas radicalmente humanos e sociais que trabalha um sonho infinito, se faz presente uma exigência última de vida para todos, justiça para todos, a começar pelos últimos, de inclusão de todos e de comunhão com tudo e com todos. Em outras palavras, há sempre uma questão teológica que tem a ver com o Supremo e o Decisivo de nossa história. É a emergência do mistério da Trindade no qual as três Pessoas, por causa do recíproco amor, convergem para ser um único Deus vivo e doador de vida (2004, p. 110).”

Há uma necessidade de justiça. Quando olhamos ao redor, vemos todo tipo de sofrimento e clamor e não podemos simplesmente virar o rosto de nossa responsabilidade de proclamar o evangelho de Cristo, que é o evangelho da justiça.

por Luis A R Branco

Texto extraído do livro “Justiça” disponíveis nas lojas online abaixo:

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5 pensamentos sobre “A JUSTIÇA E A ECONOMIA

  1. A busca por justiça social é muito mais uma questão de sobrevivência da humanidade, que um conceito teológico ou moral. A desigualdade sempre cobrará o preço, pois torna inaceitável a convivência entre os mais ou menos excluídos e os que tem de sobra e improdutivamente.
    Tarefa para homens ou só para “anjos”? … Isso é o que determinará a longevidade da raça humana sobre a terra.

  2. Isto, pra mim, é tudo:

    Nossa proclamação deve incluir a integração, a inclusão e a igualdade econômica. Leonardo Boff declarou: Em todos os problemas radicalmente humanos e sociais que trabalha um sonho infinito, se faz presente uma exigência última de vida para todos, justiça para todos, a começar pelos últimos, de inclusão de todos e de comunhão com tudo e com todos. Em outras palavras, há sempre uma questão teológica que tem a ver com o Supremo e o Decisivo de nossa história. É a emergência do mistério da Trindade no qual as três Pessoas, por causa do recíproco amor, convergem para ser um único Deus vivo e doador de vida (2004, p. 110).”

    Sou grata pelas matérias relevantes que tenho acessado, de sua autoria.

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