Entrevista com o Cientista Social e Pesquisador da História Adalberto Day

Posted on 8 de Novembro de 2015

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brasil-divididoComo cientista social como você vê a importância da internet e suas redes sociais na formação da opinião pública brasileira e como avalia o conteúdo daquilo que é divulgado?

A Internet é uma forma de se globalizar bem mais rápido as informações. As redes sociais estão cada dia mais sendo utilizadas, sendo tanto os jovens como adultos, já é parte integrante da maioria das pessoas. A tendência é melhorar e aumentar. Precisamos evoluir em tudo, estar presente na tecnologia é aceitar a evolução tecnológica e com sabedoria obter lucros financeiros e culturais.

Os conteúdos da Internet são desde os mais espetaculares aos mais baixos e desagradáveis, cabe a cada um avaliar e usufruir o melhor.

Você é conhecido por ter uma preocupação com a preservação da história do nosso povo, será esta a mesma preocupação do brasileiro enquanto povo? E o Governo Brasileiro tem feito seu papel nesta área?

Acredito mais que poucos se preocupam efusivamente com a preservação da história, não creio que políticos sejam bons colaboradores, muito menos o governo. Vejo por aqui em Blumenau e região, se faz de conta que se mantém a história, e, é aquela mesmice de sempre ou seja, ensina-se o que lhes convém. Muitas histórias são ocultas ou não se da a menor importância e quando se fala na história oral, pior ainda, quase sem chance.

Aprendi enquanto aluno que o conhecimento histórico tem um papel importante na construção do futuro, se concordar com esta premissa, qual é o futuro que se constrói no Brasil?

Sim realmente o conhecimento histórico nos mostra o passado e aquilo que somos no presente, com isso o conhecimento é a preparação do futuro, saber porque somos assim no presente e poder elaborar um futuro melhor. O futuro que estamos construindo no Brasil atual na política me parece um equivoco gigantesco e arcaico, precisamos mudar este panorama.

Como pesquisador social o que tem a dizer sobre o atual quadro político-social em que o Brasil se encontra?

Em 12/maio/1990, escrevi as seguintes palavras aos jornais e parece atual, nada mudou:

O momento que estamos vivenciando nas questões políticas, corrupção desenfreada, e um “aparente comando” dos que estão a margem da sociedade, devem servir como um alerta para aquilo que todos almejam, um futuro melhor.

Devemos ir a luta para uma mudança em nossa sociedade, que hoje é fraca , e que reflete o atual quadro que se apresenta, através de alguns políticos. Não adianta só por a culpa nos governantes, porque a eles atribuímos nossos votos. A maioria da sociedade é justa, honesta, porém “O que preocupa não é só o grito dos maus, mas o silêncio dos bons. Para que as forças dos marginais triunfem, basta apenas que as pessoas de bem não façam nada”.

Quando a força do bem prevalecer, uma sociedade mais politizada, teremos então um bom governo, pois será dessa sociedade, que escolheremos nossos representantes. O governo sempre é o reflexo da sociedade.

É só observar o problema histórico na educação, e os sistemas penitenciários.

A má distribuição de renda, maior problema nacional, como também do atraso na questão da reforma agrária, só será amenizado se melhorarmos a qualificação da nossa mão de obra, e isso só serão possíveis, com ação eficaz do Estado na educação básica. Entendemos que uma melhor distribuição de renda só vai acontecer quando a educação escolar básica for ofertada a todos e com boa qualidade, proporcionando igualdades de condições, qualificando melhor a mão de obra e como consequência um aumento do preço da mão de obra não qualificada, por diminuição de sua oferta.

A Educação, sabemos, é dever do Estado e, vemos com os “bons olhos da esperança”, que um dia cada criança, futuros cidadãos brasileiros, possam ver isso se tornar realidade.

Diante de tanta desordem institucional, não podemos permanecer passivos, de braços cruzados, precisamos participar, deixar de ser omissos. A sociedade sem participação é fraca, oprimida, e desunida, torna-se palco das discussões mais polêmicas, de intrigas, todos sabem o que falta, mas não encontram o caminho. A forma de fazer, e as soluções não saem do chão, por falta de iniciativa e liderança. Precisamos ser organizados, ideias as mais diversas, diferenças de toda ordem fazem parte de qualquer grupo social. Ao juntar-se a fé, a esperança de cada indivíduo, podemos dizer que vivenciamos a verdadeira fraternidade, sonhada por todos nós. Não devemos cair no descrédito, isso fará com que percamos a esperança. Vamos fazer nossa parte.

Como você vê o papel dos intelectuais na formação da identidade, da opinião pública e do futuro do Brasil? Há alguma negligência nesta área?

O papel dos intelectuais sempre foram e serão importante em qualquer momento de uma sociedade. Mas faço uma ressalva, nem todos são realmente comprometidos com o bem estar da sociedade, sendo sempre do contra ou uma esquerda burra e nada contribuem com o sucesso de nossa sociedade. É só avaliar o atual quadro político dos últimos 13 anos que mais retrocederam tanto na ideologia como nos avanços culturais, de segurança, educação, levando o Brasil a uma situação preocupante, com mentiras e promessas que sabem não poder cumprir. Os anteriores a gente já sabia, esses atuais governantes prometeram mudar, o povo acreditou. Mudaram mas para pior. Houve alguns avanços, mas não o suficiente, produzindo uma divida interna sem precedentes. Batem no peito se vangloriando que chegaram a pagar a divida externa (mas já é alta novamente), mas qual é o mais importante estarmos endividado dentro de nossas casas, ou a externa?

Quando um presidente se julga o melhor deles todos que foi o caso do Lula, tenho a dizer que ele deve estar sonhando, pois foi o pior da história da república em todos os aspectos. Ele recebeu um governo governável do seu antecessor, e entregou para Dilma um governo quebrado ingovernável


  Adalberto Day
Cientista Social e pesquisador da História
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