Joana

  
Dizem que a palavra saudade em seu sentido pleno só existe na língua portuguesa,
Não sei se é verdade.
Uma coisa sei, este coração Luso-Brasileiro conhece bem a largura, altura e a profundidade desta palavra.
Um dia abri a gaiola e a Joana fugiu, não sem antes dar-me uma bicada no dedo que sangrou.
Joana que tantas vezes abrira a portinhola da gaiola para tentar fugir,
De tanto tentar conseguiu.
Seguiu as asas do João, que voou e nunca mais voltou.
Dois periquitos indomáveis e decididos a fugir.
Senti saudades, mas compreendo, pois gaiola é de uma crueldade indizível.
Mas meu coração egoísta não compreende esse desejo de voar dos meus entes queridos,
Voou também minha mãe,
Nem me esperou chegar.
Aproveitou que estava só,
Bateu asas e voou.
Era outra que não nasceu para gaiola,
Há muito sofria calada como Joana, quando João voou,
Seguiu o mesmo caminho.
Fiquei sozinho a olhar para os seus ninhos,
Vazios, sem música, sem minha mãe e meus passarinhos.

por Luis A R Branco

  
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3 pensamentos sobre “Joana

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