A casa

  
Numa rua agitada,
Com carros que vão e vêm,
Há uma fachada sem graça
E o número pintado e gasto pelo tempo,
Que guarda várias histórias.

Para contar todas estas histórias 
Seriam necessárias mil e uma noites.
Histórias de amores e história de dores.
Ao passar pelo estreito portão de ferro,
Sobe-se alguns degraus em desnível.

Lá dentro somos recepcionados pela cadela Arlete.
Este deve ser o único lugar no mundo com uma cadela com este nome.
Seu semblante sofrido e seu corpo disforme revelam a história de uma cadela infeliz,
Mas que agora faz festa por ter encontrado lar.
Cachorros e homens sofrem das mesmas mazelas: a falta de amor e a saudade.

A esquerda, há um corredor estreito e longo,
Onde encontramos uma porta fechada
E sinais de que alguém ali habitou.
Uma porta outrora sempre aberta,
Um corredor no passado tão agitado guarda trancado o silêncio dos que dali se foram.

Nada pior que uma casa vazia,
Vazia de gente,
Vazia de amores,
Repleta de memórias
E repleta de saudades.

Há uma ausência insuportável no ar,
Há uma lembrança inesquecível em cada centímetro quadrado daquele lugar.
Há um relógio grande pendurado na parede,
Mas o tempo ali parece ter parado,
Parou na saudade.

Falta um quadro na parede,
Um quadro de todos nós,
Um quadro com pessoas sorridentes.
Com a frase: Aqui onde outrora habitou a felicidade, hoje habita a saudade.
 
por Luis A R Branco

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2 pensamentos sobre “A casa

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