Eu

Posted on 27 de Julho de 2015

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Desejei tanto,
Mas pratiquei tão pouco.
Fui corpo e alma incandescente,
Paixão em forma de gente.
Deixei-me consumir pelo intangível,
Como se tangível fosse em minha mente desvairada.

Se pequei, foi contra a santidade do céu,
Se violei, foi a mim mesmo e a ninguém magoei.
O que consome meus pensamentos não é a culpa, nem o desejo do que não pratiquei,
Mas a paixão que ainda arde neste corpo, nesta alma, na essência do meu eu.
Dizem que sou carne e outros que sou barro, sou na verdade uma floresta ardente com um fogo incontrolável.

O que arde em mim?
Que desejos torturam-me?
A quem pertence a paixão que envolve-me de corpo e alma?
Todas perguntas inúteis para as quais não encontro resposta.
Não me implore por nomes, não insista em objetividade naquilo que em minha mente ainda é oblíquo.

Quisera eu com a clareza das palavras rebuscadas e
Extraídas da minha mente filosófica apresentar com clareza os mistérios que me envolvem.
Não encontro no dicionário as palavras que necessito,
Não encontro na filosofia a explanação para o que sou em harmonia com meus sentimentos e desejos.
Bem podia ajudar-me a alquimia, mas já não conheço alquimistas.

Na verdade não sou nada.
Na verdade não desejo coisa alguma.
Na verdade não há calor e nem paixão, apenas frio.
Na verdade sou corpo em decadência revolvendo-se em ilusões dispersas.
Pouco restou, pouco importa, tento inutilmente abraçar o inexistente que me cerca como se fora verdade.

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