Pobre poeta

Pobre poeta,
Que lhe restou senão o sonho?
O sonho de transformar em palavras,
O que só existe em sentimentos.

Pobre poeta,
Que lhe restou senão falar de si mesmo?
Expressar com palavras por vezes arcaicas e de pouco entendimento,
O seu sentimento mais profundo e mais privado.

Pobre poeta,
Não de riquezas ou conhecimento,
Mas por tornar tão público seus sonhos, dissabores, amores e solidão.
Ser julgado por todos que desconhecem-lhe o coração.

Pobre poeta,
Castigado por uma solidão inexplicável,
Apaixonado por um amor inexistente,
Um prisioneiro de seus próprios sentimentos e pensamentos.

Pobre poeta,
Sem saber revigora muitos, sem saber restaura esperanças, sem saber conforta o coração do solitário e alimenta o amor dos apaixonados.
Uma simples folha de papel, por vezes um guardanapos, uma caneta sem luxo ou um lápis de ponta afiada,
Seus instrumentos mais preciosos quando atravessa a madrugada.

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