Cigarro

 

 Não faz muitos dias que faleceu a minha mãe, “jovem” ainda, 64 anos, deixou-nos com o coração destroçado, quem já perdeu a mãe, sabe bem que sentimento é este. E no caso da minha família em particular, o caso foi por demais dolorido, pois em pouco tempo perdemos três tios, meu pai e minha mãe, num espaço de dois anos. Como em toda família, cada um destes eram-nos preciosos. Cada óbito com uma característica diferente, mas todas elas com um assassino em comum, o cigarro. 

Todos estes meus entes queridos tinham algo em comum, para além do vício do cigarro, tinham quase todos a mesma idade e começaram a fumar muito cedo. Todos estes foram advertidos por familiares, amigos e até médicos que deveriam deixar de fumar, a resposta era quase sempre a mesma: “Um dia eu deixo de fumar!” Teimosos, não deixaram, e os que deixaram, já era tarde demais. 

Dói-me o coração sair às ruas e encontrar pessoas fumando, em especial os jovens. Rapazes e moças lindas, fazendo pose de espertos com um cigarro na mão, soltando suas baforadas venenosas. Já adverti carinhosamente alguns, mas a resposta é sempre a mesma: “Um dia eu deixo de fumar!” Frase esta que será repetida até ser tarde demais. 

Acredito que qualquer pessoa com o mínimo de inteligência sabe os danos nocivos causados pelo cigarro, mas talvez pensem que determinadas coisas só acontecem aos outros. Engano! O cigarro envelhece, o cigarro deixa a pessoa com um cheiro horrível, o cigarro amarela os dentes e os dedos, o cigarro causa um hálito desagradável, é horrível beijar na boca de quem fuma. E o pior de tudo, a morte causada pelo cigarro é sempre dolorosa e com muito sofrimento. Além disto, após a morte ficam para trás filhos, netos, irmãos sobrinhos e amigos num sofrimento terrível por perder pessoas tão amadas. Minhas filhas crescerão sem os avós paternos, vítimas voluntárias de uma morte estúpida e dolorosa. Minha filha de sete anos sentou-se no meu colo e chorou, perguntei qual o motivo: “Saudades da vovó!” 

Lamento profundamente as minhas perdas, sofro amargamente com o vazio deixado por cada uma destas pessoas, dói-me ver meus irmãos, sobrinhos, filhos e todos os da nossa convivência que sofrem igualmente a perda das pessoas amadas. A quem culpar? Qual hipótese possível existiria para evitar tais mortes? Será culpa do governo? Será culpa das empresas de cigarro? Terá sido culpa das próprias vítimas? Não sei… Resposta alguma trará de volta quem amei. Contudo acredito que se cada um refletir sobre o valor da vida, abandonará ou recusar-se-a render-se a este vício maldito. 

Minha amada mãe perdeu sua vida, o convívio da família, teve uma morte lenta e dolorida, gastou ao longo dos seus anos de fumante cerca de 387 mil reais e nos deixou na saudade.

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Um pensamento sobre “Cigarro

  1. Lamento muito a sua recente perda !
    É mesmo incrível que , apesar das constantes informações sobre o mal que o cigarro causa , as pessoas teimam em continuar fumando .Isso é não se amar !

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