Fechem uma igreja e abram uma farmácia no meu bairro 

  
Em minha recente visita ao Brasil impressinou-me o número de igrejas evangélicas por onde passei. O nascimento de uma nova igreja é motivo de alegria, afinal, mais pessoas poderão ouvir evangelho. No entanto, o que vi no Brasil foi algo surpreendente. Nas minhas idas e vindas do centro da cidade até à casa da minha mãe, onde eu estava hospedado, um trajecto de aproximadamente quinze quilómetros contei vinte e sete igrejas, apenas num lado da estrada, se contasse os dois lados o número seria possivelmente o dobro. Num determinado trecho de trezentos metros contei seis igrejas, três delas separadas por apenas uma parede. É realmente impressionante, pergunto-me o que está acontecendo, pois não posso acreditar que Deus tenha resolvido, por algum motivo desconhecido colocar todas estas igrejas num espaço tão pequenos, enquanto em outras partes do mundo existem cidades inteiras sem uma única igreja.

Outra coisa que me impressionou foi a sujeira, ruas esburacadas, ruas sem calçadas e repletas de lixo e ratos neste mesmo percurso. Drogas são comercializadas sem qualquer constrangimento, para todo tipo de pessoas, adolescentes, jovens, adultos, velhos, homens e mulheres, ricos e pobres. O número de bares é maior do que o de igrejas, e os bêbados disputam as cadeiras destes ambientes ou um espaço para dormir naquilo que chamam de calçada. Você talvez pense que a região que descrevo seja alguma favela, pelo contrário, trata-se de uma região hoteleira, com bons restaurantes, campo de golfe e mansões. Como estas coisas podem coexistir em um mesmo espaço geográfico é um mistério. 

É um mistério também a irrelevância destas igrejas nos problemas sociais desta região. São igrejas voltadas para dentro, sem impacto na vida da comunidade. Eu queria que no bairro da minha mãe fechasse uma igreja e abrissem uma farmácia ou padaria, coisa que falta por lá. E sei que está situação repete-se noutros locais, se não, em quase todo o Brasil. Não entenda-me erradamente, não sou contra igrejas, só acho uma falta de estratégia e de criatividade situações como estas. Há algo que não está certo, há alguma coisa que está sendo deixada de lado, há algum interesse estranho em meio a tudo isto e é preciso descobrir!

3 pensamentos sobre “Fechem uma igreja e abram uma farmácia no meu bairro 

  1. Lá se foram 2000 anos! E o paradoxo atual relativo a esta realidade, é que as igrejas estão cheias de paz, mas as ruas ao seu redor estão cheias de guerra, Uma pergunta que não quer calar sobre essa triste época…. Seria a verdadeira religião, aquela que praticamos fora da Igreja, depois que dela saímos??? Bem amigo…..Creio que será necessário novamente a repetição do “chicote” nos templos…..e agora seria também utilizado nas ruas, avenidas, becos, e vielas! Grande Abraço!

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