O ministério pastoral

Desde antes da minha ordenação ao ministério pastoral, já era fascinado por aquilo que conhecemos como “cuidado pastoral”. E desde cedo, procurei compreender e absorver aquilo que seria o ideal bíblico do cuidado pastoral. Nesta minha busca deparei-me com inúmeras ideias e propostas, algumas bizarras, algumas estranhas, mas também algumas bíblicas.

O meu propósito neste texto é observar apenas alguns dos aspectos daquilo que entendemos, segundo às Escrituras, ser o papel do pastor e da igreja no que diz respeito ao exercício do ministério da pastoral. Quando não compreendemos do que este ofício se trata, podemos incorrer em risco de criar uma expectativa e comportamento inadequado. Vejamos alguns pontos importantes:

O ministério pastoral é uma dádiva de Deus para com o seu povo.

O Apóstolo Paulo ao escrever sobre o ministério pastoral em Efésios 4:7-16, ele esclarece que Deus “mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”. O entendimento bíblico é que estes cinco dons ministeriais, apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre, são prerrogativas do ministério pastoral. Com qual propósito? Com o propósito de aperfeiçoar os santos e a edificação do corpo de Cristo, que é a igreja.

Um outro aspecto importante nesta passagem, é que Paulo deixa claro que é Deus quem “concede” o pastor para a igreja, portanto, não é um diploma, não é um concílio, não é sequer a igreja, mas Deus quem concede pastores para o seu povo.

2. O ministério pastoral é para ser cuidado e sustentado pela igreja.

Numa outra passagem sobre o ministério pastoral Paulo diz: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário” (1 Tm 5:17-18) Observe que a orientação pastoral não é apenas para que a igreja cuide das necessidades do seu pastor, mas que deve considerar este cuidado uma honra. Veja que antes deste ponto coloquei um outro, pois há muitos que têm entrado no pastorado com outras intenções que não é a bíblica, mas há aqueles que Deus tem genuinamente dado a igreja e estes devem ser cuidados por ela.

Já trabalhei em contexto onde fizeram-me sentir como se o salário pastoral que eu recebia fosse mera bondade e generosidade da igreja, e não um privilégio da mesma em ter um pastor dado por Deus para seu aperfeiçoamento e edificação. É importante que tanto a igreja como o pastor reconheçam que o ministério pastoral é uma honra.

3. O ministério pastoral requer um mútuo comprometimento entre o pastor e a igreja, para que então, este possa ser fecundo e eficiente.

O Apóstolo Pedro ao falar sobre esta relação de compromisso entre pastor e igreja escreveu: “…pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós…” (1 Pe 5:2) Um pastor que não cuida do rebanho, que não o pastoreia, tem infligido este mandamento de Deus. Mas a Escritura diz também: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas…” (Hb 13:17). Não há pastoreio sem ovelhas e nem ovelhas sem pastor. Esta relação é fundamental para uma igreja saudável.

4. O trabalho do pastor resumi-se em:

4.1. Pregar e ensinar as Escrituras – “…quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6:4) => Esta é a função principal do ministério pastoral, a pregação. A igreja precisa ser paciente e dar tempo para que o pastor pregue a Palavra. Hoje em dia acontecem tantas coisas no culto, que a pregação é a parte mais lesada nos cortes que se faz devido ao tempo. Já vi igrejas cortarem a pregação por completo de seus cultos. Se muitos soubessem a complexidade que envolve a preparação da pregação teriam muito mais respeito por este momento.

4.2. Consagração a oração => Oração exige tempo! Será que podemos compreender isto? Há ministérios tão ativistas que é impossível encontrar tempo para a oração. Oração não é um telefonema, um email ou telegrama que enviamos para ao céu. Oração é um relacionamento que transcende a nossa realidade física, me arrisco em afirmar que a oração é um milagre, tanto é um milagre que muitos não conseguem vivê-la. A falta da oração tem sido sem dúvida um dos maiores pecados cometidos pelos pastores.

4.3. Cuidado pastoral => Como se dá este cuidado pastoral? Quem tem prioridade neste cuidado pastoral? Gregório, preocupado com o trabalho pastoral escreveu um manual de instruções para os ministros, no qual ele escreveu: “Que seu agir seja de tal maneira que a sua humildade não seja para ti uma fraqueza, nem a sua autoridade por demais severa. A justiça deve ser acompanhada de humildade e que a humildade faça com que a justiça seja amável.”[1] O cuidado pastoral se dá com humildade, amor, autoridade e justiça. Há duas ideias erradas do pastorado, a do pastor cruel que só bate no rebanho, e a do pastor bonachão, que já perdeu o seu respeito. É importante o equilíbrio entre humildade e autoridade, entre amor e justiça.

A prioridade no cuidado pastoral é com o necessitado, espiritualmente e fisicamente. Tiago, irmão do Senhor e pastor da igreja em Jerusalém escreveu: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo- o com óleo, em nome do Senhor.” (Tg 5:14). Deixa-me dizer-lhes algo para o seu espanto: Visita pastoral, conforme encontramos nas escrituras, é para aqueles que estão doentes, seja da alma ou do corpo. Muitos confundem rebeldia, afastamento deliberado, irresponsabilidade cristã entre outras coisas com “uma necessidade de cuidado pastoral”. Há pessoas que gozam de boa saúde, têm carro, têm recursos e tempo, mas escolheram deliberadamente levar a vida cristã de qualquer maneira, são visitantes em suas próprias igrejas, e ainda assim esperam e reclamam da “falta de cuidado pastoral”. São pessoas com o ego elevado, orgulhosas e vaidosas. O pastorado da igreja não existe para acariciar o ego de ninguém. Que cada crente seja responsável para com a sua própria vida espiritual.

E para concluir, quero advertí-lo em cooperar com o pastorado, para que a igreja cresça de forma saudável e abençoada.

[1] Mark Galli e Ted Olsen, “Introdução”, 131 cristãos todos devem saber (Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 2000), 318.
 
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3 pensamentos sobre “O ministério pastoral

  1. Gostei muito de sua reflexão Luis….Parabéns! Também avalio que na verdade DEUS não escolhe os “capacitados” ele (penso e creio) CAPACITA os”. “escolhidos”,,,Quiça, em nossa caminhada e testemunho, possamos herdar apenas um dos dons do Espírito Santo…Seria com tamanha glória, que faíiamos e bem os desígnios do Altíssimo ! grande abraço!

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