Uma classe dirigente privilegiada

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No Brasil os seus dirigentes exercem seu dever público, para o qual foram eleitos como uma espécie de monarquia absolutista onde os vários níveis de governo se dividem como uma corte em que cada um utiliza-se dos recursos existentes como se fora seu. Numa monarquia absolutista a riqueza do monarca e a do país se misturam como se fossem uma só, e é assim também que funciona no Brasil, a classe dirigente faz uso do dinheiro público como se fosse seu. Um exemplo clássico disto está no uso dos cartões de créditos corporativos emitidos pelo governo, o da presidência da república chega apresentar gastos de milhões de reais sem apresentar qualquer descrição dos gastos, um absurdo.

Como se não bastasse, a classe dirigente no Brasil é quem vota seus próprios salários. Os deputados decidem entre si o quanto devem ganhar, e o mesmo se repete no senado e nas supremas cortes. Como é possível num país onde não se respeita os tributos arrecadados do cidadão, permitir que cada governante decida o quanto vai receber de salário?

No Brasil o salário de um deputado federal pode alcançar os valores astronômicos de US$157,6 Mil por ano, ocupando a quinta categoria dos deputados mais bem pagos do mundo, segundo a revista The Economist.

E para além dos privilégio financeiro, a classe dirigente no Brasil desfruta de inúmeros privilégios, que inclui imunidade parlamentar. Há pouco tempo se fez um teatro chamado de “ficha limpa”, no qual qualquer politico envolvido em algum tipo de crime estaria supostamente vetado de participar de eleições, mas na prática nada mudou, os juízes não chegam a consenso algum e os mesmos políticos corruptos, continuam a concorrer as eleições e pior, são eleitos pelo povo que tem como lema o seguinte moto: Ele rouba, mas faz!

Há uma cumplicidade assustadora entre o povo e a classe dirigente. Uma cumplicidade que ultrapassa aos limites da política e penetra nos limites das afinidades sentimentais, nos limites da sensualidade e nos limites do escárnio, poucos são os que de fato votam de forma séria e consciente. Sendo assim, no Brasil se elege politicos corruptos, personalidades famosas e até palhaços.

No país é impossível se levar a serio os politicos eleitos por um povo irresponsável. No Brasil fazemos política tal como fazemos carnaval, é um tipo de festa popular marcada pela imoralidade.

por Luis A R Branco

Texto extraído do livro “Brasil: o país de plástico

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3 pensamentos sobre “Uma classe dirigente privilegiada

  1. SEU EXCELENTE ARTIGO VEM A CONFIRMAR UM DITO POPULAR QUE DIZ: ” CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE”
    TAMBÉM CONCORDO QUE O POVO AO VOTAR NESSES POLÍTICOS CORRUPTOS E CORRUPTORES , TORNAR-SE CÚMPLICE DELES E COM ISSO FAZ COM QUE A PARTE DA POPULAÇÃO QUE VOTA CONSCIENTEMENTE, SOFRA COM OS DESMANDOS E ROUBALHEIRAS DESSES MAUS GOVERNANTES. E POLÍTICOS.
    EXCELENTE,VERDADEIRA E OPORTUNA SUA COMPARAÇÃO FINAL ENTRE POLÍTICA E CARNAVAL NO BRASIL.

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