O bom, a verdade, o bonito e o Brasil

Posted on 19 de Janeiro de 2015

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Extraído do Google Imagens

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Na antiga cultura grega havia três valores de suma importância para a sociedade e identificados por diferentes filósofos. Estes são o ‘bom’, a ‘verdade’ e o ‘bonito’. No entanto, sem uma análise do real significado destes valores, corremos o risco de adotá-los fora do seu contexto. Um outro fator de grande importância é a necessidade da nossa sociedade contemporânea estabelecer valores duradouros que promovam o bem, a verdade e a vida. É preciso também estarmos conscientes de que estes valores nunca virão de cima, da classe dirigente, mas do povo que uma vez convencido de seus valores, não permitirá que classe alguma se estabeleça no caminho da sociedade que busca por uma vida melhor. O passado não nos pertence, nem podemos modificá-lo, no entanto, não precisamos viver como reféns do que já passou. Já o presente e o futuro estão adiante de nós e podemos fazer destes uma experiência de vida maravilhosa, se assim desejarmos.

Vivemos um tempo de conflito de valores, numa sociedade que clama por justiça, mas elege governantes corruptos. Governantes que se apropriam do património público, abusam da boa vontade e ingenuidade do pobre, utilizam recursos do estado para comprar votos dos menos favorecidos através de programas assistencialistas, e como se não bastasse, envolvem-se com toda sorte de corrupção.

Nunca tivemos tantos ditadores no poder como nos dias de hoje, nunca tivemos no Brasil uma classe política tão incompetente, incapaz e corrupta. Uma simples demonstração da incapacidade do legislativo brasileiro está no fato de que num país onde mais de cinquenta e duas mil pessoas são assassinadas por ano e um policial é morto a cada trinta e duas horas, tenhamos deputados e senadores que proponham o absurdo do desarmamento da polícia. Num país destes, quem tem juízo jamais aceitará ser policial, estabelecendo assim o caos na segurança pública.

Extraído do Google Imagens

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Na filosofia grega o ‘bom’ é aquilo que é ‘ético’. Isto significa ações corretas, ações éticas, ações morais e ações responsáveis. Este valor pressupõe que uma sociedade onde estas ações não existem, o bom também se torna inexistente. Não há possibilidade de usufruir de uma vida boa em uma sociedade sem valores éticos. No Brasil o ‘bom’ está desassociado da ética, na verdade trata-se de uma prerrogativa pessoal, de interesse e uso privado, ainda que em detrimento de outrem. O brasileiro cultiva a ideia de que se ele como indivíduo consegue alguma vantagem, pouco importa os outros e a ética.

O segundo valor na filosofia grega é a ‘verdade’. A ‘verdade’ é aquilo que envolve a razão e a ciência. Este valor está diretamente associado com a educação e com o desenvolvimento intelectual do indivíduo e da sociedade. Nas últimas décadas temos experimentado um acesso cada vez maior das pessoas à educação no Brasil, no entanto, sua qualidade avançou muito pouco. Infelizmente falta uma política de educação séria no país. Um país que é a 7º maior economia do mundo não pode ter a sua melhor universidade ocupando o 137º lugar entre as melhores universidades do planeta. E um número grande das nossas universidades ocupam do 500º lugar em diante, num ranking de 800 posições, sendo que no mínimo sete universidades brasileiras estão entre o 700º e o 800º lugar. Já no raking de ciência os país ocupa o 13º lugar, não é tão mal, mas ainda assim estamos atrás de países como China e Índia.

O ‘bonito’ é o terceiro valor da filosofia grega, isto quer dizer ‘arte’. Como brasileiros temos a tendência de nos considerarmos um país artístico, e de certa forma é verdade. Somos um país com excelentes artistas plásticos, músicos, poetas, dançarinos, etc. Mas também temos uma multidão impressionante de ‘arte lixo’, que alguns tendem a confundir com arte popular. A arte esta diretamente relacionada a cultura, alta-cultura e baixa-cultura. A alta-cultura está relacionada com a arte de caráter mais clássico, já a baixa-cultura com um caráter mais popular. No entanto no Brasil temos em demasia aquilo que só podemos definir como arte-lixo. Algumas pessoas confundem a livre expressão do artista com a livre definição da arte, definindo como arte qualquer coisa que alguém aprecie fazer. Esta posição pode encontrar lugar entre alguns filósofos e antropólogos, porém, a maioria concorda que existe um padrão mínimo de definição artística. Acredito que arte deve envolver pelo menos três aspectos: lógica ou sentido; harmonia ou beleza; sentimento ou emoção. Isto significa que que uma música seja considerada arte ela deve conter lógica, harmonia e sentimento. Uma poesia para ser considerada arte deve conter lógica, beleza e emoção. Uma pintura deve conter sentido, beleza e sentimento. Isto faz com que desconsideremos, pelo menos alguns de nós, algumas das ‘artes-lixo’ que existe por ai. Um dia destes assisti um vídeo de uma demonstração de ‘arte-lixo’ dentro de uma sala de aula, onde três adolescentes sob o ritmo eletrônico de uma música punk simulavam um ‘ménage à trois’, isto definitivamente não é arte.

Infelizmente a sociedade contemporânea segue os passos decadentes da antiga Roma, que se desintegrou paulatinamente numa série de imoralidades, injustiças e desgoverno, até desaparecer na história.

por Luis A R Branco

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Posted in: Filosofia