Janela

Sentado em meu mundo seguro vejo a diante de mim uma janela.
Uma janela antiga e de vidro já gastos pelo tempo e com alguma sujidade.
Com os meus olhos fixos nesta única fonte de luz e conexão com o mundo lá fora me pergunto:
– O que há lá fora?

Meus pensamentos fugazes logo trataram de responder:
– Há vida!
Mas oxalá meus pensamentos fossem um só ou unânimes, mas logo outro pensamento indaga:
– Mas aqui dentro também não há vida?

Foi quando finalmente conseguiram concordar:
– Há vida dos dois lados da janela!
Mas um pensamento que até agora estava quieto perguntou:
– São vidas iguais ou vidas diferentes?
Na busca pela resposta todos os meus pensamentos falavam ao mesmo tempo me levando a uma grande confusão e inquietude.

Depois de muito discutirem concordaram que que há vida dos dois lados da janela, mas são vidas diferentes e fizeram uma lista com as diferenças da vida lá fora comparada com a vida aqui dentro.
Listaram de tudo: frio, calor, chuva, abrigo, conforto, desconforto, segurança, insegurança, alimento, fome, e assim foram trazendo a tona todas as diferenças.

Foi então que do inconsciente da minha mente, daquela parte escura onde se escondem os pensamentos mais perversos, se ouviu uma voz dizendo:
– MEDO.

E todos os demais pensamentos calaram-se, e a palavra medo ecoou horas a fio em minha mente assustada, até que concluí que assim como a vida, o medo vive também dos dois lados da janela.

por Luis A R Branco

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2 pensamentos sobre “Janela

  1. Criativo seu poema Janela, Luís. Este teu poema me leva a refletir sobre como é estar confortavelmente instalada em um lar com todos provisões e olhar para o irmão menos favorecido materialmente que nem tem onde repousar a cabeça para descansar. O medo de quem olha para fora da janela, é de imaginar-se no lugar do outro, perder o que possui e o que fazer. O medo do irmão que não tem o porto seguro é mais intenso penso eu, por que ele lida diariamente com como vou fazer hoje para repousar em algum lugar seguro? como conseguir as refeições do dia? as necessidades básicas? Nenhuma pessoa deveria passar por isto. É constrangedor. Tem o lado do medo de quem esta na zona de conforto em se envolver com quem está do outro lado passando necessidade, não por que não tenhamos vontade em ajudar, mas por que se instalou um clima de desconfiança muito grande por conta da violência que contamina toda a sociedade. Sou católica não praticante, mas na medida do possível gosto de ajudar quem precisa, mas hoje em dia esta difícil confiar em quem ajudar, muitos são golpistas, aproveitadores. Eu mesmo tive uma experiência pouco agradável, o que me faz recuar hoje em dia, diante de uma situação da qual meu coração muitas vezes fica apertado ao enxergar a aflição do irmão necessitado. Peço sempre perdão a Deus por meu coração está endurecido, pelo medo, pela desconfiança, pelo egoísmo, pela falta de caridade e fraternidade. Sei que um dia, serei cobrada sobre essas faltas, julgada, não sei se serei perdoada…
    Fica na paz de nosso Senhor Jesus Cristo.
    Abraço fraterno,
    Edna Guidini

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