Dom Quixote de La Mancha liberta o Brasil

Extraído do Google Imagens

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Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco e galgo corredor chamado Dom Quixote de La Mancha. Nobre cavaleiro da Mancha, amigo e protetor dos sofredores, amante da imortal Dulcinéia del Toboso e dono do fiel Rocinante. Numa de suas saídas em busca de alguma aventura ou de livrar algum sofredor das mãos de seu algoz, encontrou num campo aberto onde os pastores guardavam suas ovelhas um objeto esquisito o qual resolveu ir ver de perto. Como sempre, muito bem preparado, vestido com sua armadura e lança na mão desceu do Rocinante e caminhou em direção àquilo que imaginou ser uma espécie de dragão ou um diabo qualquer.

Quando se aproximou nosso cavaleiro viu quando uma porta se abriu, o que Dom Quixote pensou ser a boca do dragão, uma vez que abriu-se na vertical e lá de dentro luzes fortes clarearam o pasto naquela manhã. Como sempre, Dom Quixote saia sempre antes do amanhecer, pois julgava ser importante não perder tempo e livrar o quanto antes as possíveis vítimas de seus cruéis carrascos, os quais Dom Quixote jurara nunca deixar escapar. Neste instante Dom Quixote atirou com toda a força sua lança contra aquilo que imaginava ser um dragão e para a sua frustração sua lança atingiu o objeto e caiu no chão, quando o fidalgo pensou em correr para alcançar uma distância segura para lutar contra aquela besta infernal, saem de dentro dela três brasileiros, um do Rio de Janeiro, outro de São Paulo e um gaúcho da fronteira, no Rio Grande do Sul. O susto foi para os quatro, que ficaram surpresos por se encontrarem naquele prado quando o dia nem ainda havia nascido.

Dom Quixote, ainda assustado, mas sem se deixar notar disse em voz alta: “- Saiam meus senhores, afastem-se desta besta da qual vos livrei para que assim eu possa acabar com ela de uma vez por todas!” O único que conseguiu entender o brado do cavaleiro da Mancha foi o gaúcho, pois por ter vivido na fronteira estava acostumado com aquele forte sotaque espanhol. Logo os brasileiros tentaram fazer com que Dom Quixote entendesse que não se tratava de um dragão, mas sim de uma maquina do tempo, que para desgosto de Marc R. Reinganum, havia sido construída pelos três amigos, que diziam pertencer a classe média brasileira e fugiam da terrível bruxa de Brasília, e seu maquiavélico tio Lula Gargamel.

Entender que aquelas três almas fugiam de um outro tempo e de pessoas tão cruéis era difícil para a mente do nosso nobre cavaleiro. Quando os brasileiros questionaram sobre sua identidade e o que fazia ali naquela hora e vestido daquele jeito, receberam como resposta: “- Sou o grande cavaleiro da Mancha, Dom Quixote de La Mancha, protetor das almas indefesas. Minhas pompas são as armas, meu descanso o pelejar, colchões me são as penhas e o dormir sempre velar!”

Extraído do Google Imagens

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Na verdade a postura desengonçada de Dom Quixote não impressionou muito os brasileiros, que estavam decididos ali ficar, e nunca mais voltar ao país e ao tempo dos patifes lulistas. Foi quando Dom Quixote percebeu uma oportunidade de tornar-se finalmente num grande e temível cavaleiro de verdade, livrando a terra daqueles homens da megera bruxa de Brasília e seu tio Lula Gargamel. E assim informou aos brasileiros que entraria na boca daquela besta com seu Rocinante e suas armas e rumaria através do tempo até Brasília onde enfrentaria os terríveis bruxos brasileiros. E assim, com a ajuda dos três brasileiros Dom Quixote conseguiu espremer-se na maquina do tempo com seu Rocinante, enquanto os brasileiros ativaram as coordenadas exatas naquela maquina que levaria nosso fidalgo diretamente ao Planalto Central. No entanto, antes que a porta fosse fechada e nosso amigo iniciasse sua viagem, este deu um brado em direção aos três viajantes do tempo tupiniquins: “- Meus senhores brasileiros, não tenhais medo, pois agora estais sob a proteção do grande cavaleiro Dom Quixote de La Mancha, e vos prometo não retornar a estes prados sem antes livrar vossa terra das mãos de tão terríveis bruxos. Meu coração parte entristecido, pois deixarei momentaneamente minha doce Dulcinéa, mas para seus braços pretendo voltar tão logo esteja cumprida a tarefa e de lá trarei para minha donzela os despojos daquela guerra!” E assim desapareceu o fidalgo da região da Mancha e do seu tempo para aparecer justamente em Brasília.

Dom Quixote chegou a Brasília numa segunda-feira, pousou bem na explanada dos ministérios, eram as dez horas da manhã, mas por se tratar de Brasília, Esplanada dos Ministérios, em plena segunda-feira, às dez horas da manhã, não havia políticos ou ministros para receber nosso cavaleiro, pois como é bem sabido, tais pessoas não são dadas ao trabalho, muito menos numa segunda-feira pela manhã. Foi quando Dom Quixote montado em seu Rocinante marcha em direção ao Palácio da Presidência da República, mas como não havia políticos algum em Brasília para recepcionar figura tão estranha, chamaram os chefes das forças armadas, pois estes, já envelhecidos e com pouca energia para as gandaias comuns da classe dirigente brasileira, estavam sempre em Brasília. Logo a região estava cercada de jornalistas, fotógrafos, curiosos e policiais que observavam assustados nosso cavaleiro que bradava cada vez mais alto exigindo que apresentassem a bruxa de Brasília e seu tio, antes que ele os arrancasse com as próprias mãos de suas tocas.

Quando chegaram os três chefes das forças armadas, um corredor se abriu para os deixar passar em direção à Dom Quixote. Estes pararam a certa distância e com a ajuda de um megafone tentavam interrogar Dom Quixote que andava impacientemente de um lado para o outro em cima do fiel Rocinante sem demonstrar medo. Ao contrário de responder às perguntas que lhe eram feitas pelos três anciãos das forças armadas, Dom Quixote lhes disse com todo vigor: “- Ó vos quem quer que sejam, atrevidos anciãos de roupagem estranha, tragam-me imediatamente a bruxa de Brasília e seu cruel tio Lula Gargamel, para que eu os meta numa masmorra onde morrerão como meus prisioneiros de guerra, tratados a pão e água, devido a sua terrível maldade contra esta terra.”

Extraído do Google Imagens

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Os militares sem saber de quem Dom Quixote se tratava, pois havia chegado até ali numa pequena maquina, que mais parecia uma nave espacial, e por não serem dados a leitura desconheciam as façanhas históricas do fidalgo e temiam se tratar de um alienígena, e que outros poderiam estar a espera de sua ordem para invadirem a terra e destruírem a humanidade. Foi quando um dos três chefes virou para os outros dois e disse: “- Porra, no Independence Day eles chegavam nos Estados Unidos e não aqui em Brasília.” E o outro disse: “- Estamos em apuros meus nobres colegas, a presidente cortou a verba, e nem as fronteiras temos vigiado direito, que dirá vigiar o espaço contra ataques de alienígenas.” E por fim o último deles teve a boa ideia de tentar convencer a estranha figura de que o Brasil era um país pacato, que o negócio do país era bola e samba, coisa que Dom Quixote desconhecia completamente. Com muito custo os três chefes conseguiram convencer o fidalgo da Mancha a descer de seu Rocinante e caminhar até o Palácio da Alvorada para conversar. Dom Quixote aceitou o convite, porém se recusou a se desarmar e acompanhou os militares que cagando-se de medo pensavam que a lança de nosso fidalgo tratava-se de alguma arma poderosa e temendo pela invasão do Brasil por outras figuras idênticas tentavam acalmar os ânimos de nosso cavaleiro. Um dos chefes militares disse aos demais: “-Ainda bem que este alienígena fala espanhol, assim a gente se desenrola no portunhol, pois se fosse em inglês ou francês estávamos lascados!”

Com desejo de fazer com que Dom Quixote se sentisse mais a vontade, trouxeram uma caipirinha e uma mulata, madrinha da bateria da escola de samba Acadêmicos de Brazilândia que com sua bunda generosa tentava atrair a atenção do fidalgo. Enojado tanto com a bebida como com a indecência da sambista, pôs-se de pé e disse que não cederia diante daqueles bruxedos e insistiu na presença da presidente do Brasil e de Gargamel. Foi quando foi informado que ambos estavam numa viagem de negócios de estado em Cuba.

Dom Quixote pediu para ficar só com os três chefes e quis saber quem eram, foi quando foi informado que eram os chefes das forças armadas do Brasil, nas mãos de quem estava a responsabilidade de proteger o país. Dom Quixote levantou-se irado e disse com todo vigor: “- Vos sois covardes e não chefes! Como podem chefes de tão grande força permitirem que o país caia nas mãos de bruxos tão cruéis?” Estes nada responderam, por medo e vergonha, e nosso cavaleiro percebeu que estes três haviam sido seduzidos pelos encantos da velha bruxa.
Dom Quixote com toda sua ira foi empurrando estes três chefes para fora do Palácio em direção da maquina do tempo. Ninguém ousava impedir as ações de Dom Quixote, como sempre os brasileiros são muito lentos e medrosos em agir. Dom Quixote apertou todos os botões possíveis naquela maquina, saiu e fechou a porta e a maquina desapareceu no ar. Não se sabe para onde os três pobres diabos foram enviados, se para o futuro ou para o passado. Mas agora livre destes chefes e com a ausência da presidência, Dom Quixote, subiu a rampa do palácio e ao chegar lá em cima, sob o olhar de uma enorme multidão, nosso cavaleiro dirigiu-se ao povo: “- Meus nobres habitantes destas cercanias, hoje, eu, Dom Quixote de La Mancha vos livrei das mãos de tão terríveis criaturas e incompetentes guerreiros, e declaro livre este país de toda sorte de bruxedos e patifarias e o entrego nas mãos do seu povo para que livres estabeleçam um sistema de governo justo. Lembrem-se os mais ávidos a desonestidade que Dom Quixote estará sempre por perto para livrar novamente e acabar com qualquer um que tente reduzir este país novamente a escravidão.”

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A multidão que assistia explodiu em alegria e jubilo. Enquanto isto, Dilma e Lula que assistiam tudo pela televisão em Cuba temendo o povo livre e a fúria de Dom Quixote resolveram ficar por lá, até porque consideravam Cuba um paraíso.

Dom Quixote desceu a rampa, subiu no Rocinante e saiu galopando dali sem que ninguém soubesse seu destino. Dizem alguns que já viram uma figura semelhante no interior de Goiás, mas nada que pudessem provar.

Uma vez livre o povo brasileiro entendeu que nem os bruxedos petistas, nem os velhotes das forças armadas, nem político algum pode aprisionar um povo e levá-lo a miséria. Um simples Dom Quixote foi o suficiente para libertar o Brasil.

por Luis A R Branco

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5 pensamentos sobre “Dom Quixote de La Mancha liberta o Brasil

  1. Até que não seria má ideia, ressuscitar Dom Quixote para expurgar os chefes dos petralhas;e não podes esquecer de seu fiel escudeiro,Sancho Pança,já que resolveste o maior problema do nosso país,na ficção.rsrs Muito bem bolado,parabéns!

  2. “Tudo bem até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento” Seu texto é super criativo, a idéia de trazer Dom Quixote do passado pra resolver os desmando políticos do Brasil é sensacional. Até por que só o Cavalheiro da triste figura poderia ser tão ingenuo e sonhador de achar que daria conta de resolver tais problemas. se o Sancho estivesse com ele o teria demovido da intenção. Gostei de fato do texto. Gosto muito de Cervantes. Gosto da amor às causas perdidas. Forte abraço.

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