BRASIL: Uma classe dirigente sem ética

Posted on 10 de Outubro de 2014

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Extraído do Google Imagens

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Os problemas que envolvem a classe dirigente no Brasil são grandes demais para serem esgotados numas poucas linhas e páginas, se o evangelista João fosse escrever um versículo sobre a classe política brasileira certamente seria: “Há, porém, ainda muitas outras coisas terríveis que fizeram os políticos brasileiros; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem.” (parafraseando e adaptando São João 21:25). A verdade é que entre os políticos brasileiros temos de tudo, menos santos.

Na classe dirigente brasileira o que há demais é coesão político-partidária, mas como diz Manuel Laranjeira: “Não há coesão cívica.”[1]  Na verdade, o que de boa vontade chamamos de coesão político-partidária é na verdade um conluio político-partidário que simplesmente torna o país ingovernável. Laranjeira diz ainda: “A vida duma nação não é uma ficção política, não é uma mentira convencional…”[2] No entanto parece-me que o povo já há muito tempo, desde quando a classe dirigente resolveu fazer o povo de palhaço, que a política não é levada a sério. A prova disto está nas últimas eleições, na quantidade de “mulheres frutas”, palhaços, cantores, jogadores de futebol, radialistas e outros envolvidos com o entretenimento e que se candidataram, e pior, venceram e hoje são nossos governantes.

Imagine um país que quer ser levado a serio e elege um palhaço, cujo slogan era “pior do que está não fica”, com nada menos que 1,350 milhão de votos, e hoje é deputado federal de uma nação cheia de contradições e que busca um assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU, como se o mundo fizesse parte deste circo chamado Brasil. Outro candidato muito bem votado foi o deputado Paulo Maluf, de São Paulo, com 497 mil votos, mesmo acusado pela justiça brasileira de ter uma vultosa conta no paraíso fiscal das ilhas Jersey e ter seu nome incluído na difusão vermelha da Interpol, por solicitação dos Estados Unidos. O ex-presidente Fernando Collor de Mello, depois de cumprir o período de inelegibilidade que durou oito anos, imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral, volta ao cenário político como senador eleito com 550.725 votos. E a lista não termina, como também não termina minha indignação e meu sentimento pessimista de uma nação onde política não levada a serio.

A eleição destes indivíduos e tantos outros denuncia uma grave falta ética na nação brasileira, aliás a palavra “ética” foi removida do código de conduta dos senadores do Brasil como legado político do senador Lobão Filho que justificou a canalhice com a seguinte frase: “A ética é uma coisa muito subjetiva, muito abstrata.” Portanto, temos um senado sem ética, que analisa e aprova projetos de lei. Algumas pessoas acham-me um antipatriota, alguém que só fala mal do Brasil, mas alto lá, não estou aqui a inventar casos, estou relatando fatos de conhecimento nacional, o Brasil é o que é, não são minhas palavras que o tornam assim, e infelizmente, temos que admitir que nosso amado país não é uma nação séria, e que nossa classe dirigente é formada por pessoas de terríveis qualidades. E aqui quero citar o filósofo francês Gilles Lipovetsky que escreveu o seguinte sobre a necessidade da ética em nossos dias: “As grandes proclamações moralistas apagam-se, a ética regressa, a religião da obrigação esvaziou-se da sua substância, mas, mais do que nunca, o <<complemento de alma >> está na ordem do dia: <<O século XXI será ético ou não existirá.>>”[3] Nossa classe dirigente ainda não percebeu, e muito menos percebe o nosso povo, que sem ética o Brasil não existirá. Sinceramente não sei explicar esta frase: “o Brasil não existirá”. Acredito que a terra, o povo, a nação continuarão a existir, mas não o tão sonhado Brasil do futuro, que é uma utopia já descoberta pelo mundo. O Brasil vive a síndrome do futuro que nunca chega, não chegou para meus avós, nem para meus pais, nem para mim, e lamento que as indicações são que não chegará para meus filhos. O Brasil precisa compreender que é até possível construir no Brasil estradas tão boas como as da Alemanha, mas construir os valores éticos no Brasil como os que existem na Alemanha, nos custará muito mais do que asfalto e dinheiro, nos custará a coragem de mudar o cenário político brasileiro erradicando com os vermes parasitas que consomem e destroem o que resta do nosso pobre país.

por Luis A R Branco

[1] Manuel Laranjeira, O Pessimismo Nacional: Ou de Como Os Portugueses Procuram Soluções (Lisboa: Padrões Culturais, 2008), 69.

[2] Idem, 70.

[3] Gilles Lipovetsky, Biblioteca Dom Quixote, 3. ed., vol. 10, O Crepúsculo Do Dever: a ética Indolor Dos Novos Tempos Democráticos (Lisboa: Dom Quixote, 2004), 235.

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