Retalhos meus

Arte Contemporânea 2011 http://www.artmajeur.com ©2011 Antonio Guimaraes Santos. Retalhos da vida. Pintura. Portugal

Fecho os olhos e imagino que estão perto as pessoas a quem amei, 
Vejo seus rostos, seus sorrisos, suas docuras e
A saudade parece ocultar-me cada um de seus defeitos,
Aliás, todos os meu mortos são perfeitos. 

Não vejo espíritos, não ouço vozes, não vejo vultos,
O que vejo são as imagens grudadas em meu subconsciente
Daqueles a quem amei e 
Para sempre os amarei.

A cada dia que passa a vida busca desgastar seus nomes,
Como se fossem apagando-os aos poucos a medida que aqueles que não os amaram como eu
Deixaram de pronunciar seus nomes tornando-os apenas a lembrança vaga daqueles que um dia foram.
Mas eu não os posso esquecer, nem desejo esquecê-los, pois foram por demais preciosos para mim.

Não culpo quem os esqueceram, nem aos que me dizem: “Esquece!”
Como poderiam entender o amor com o qual os amei? 
Minha fraqueza, minha depressão, minha neurose parecem reforçarem está saudade.
Fechar os olhos e imaginá-los tão perto, seja saúde ou doença, ameniza um pouco a saudade.

Numa sequência cruel, com intervá-los curtos a morte roubou-me sem nenhum pudor,
Irmão, tio, pai e amigos deixando um vazio tão grande e impossível de ser preenchido.
Numa sequência cruel, com intervá-los curtos a vida me feriu profundamente através daqueles em quem confiei.
Traído e ferido pelos vivos e abandonados pelos mortos adoeci de maneira inexplicável.

Cai em queda livre num poço que parecia sem fundo,
Tudo o que via era a escuridão.
Uma confusão sem precedentes tomou-me a mente,
E feriu-me mortalmente no coração.

Perdi a confiança nos vivos e nos mortos,
Perdi a confiança em mim mesmo.
Perdi o caminho de volta e ainda não o encontrei.
Perdi o fôlego,
Perdi o entusiasmo,
Perdi a paixão, 
Perdi a alegria,
Perdi a sensação da vida.

Ao abrir os olhos e ao olhar para trás só vejo retalhos de mim mesmo deixados pelo chão.
Desfiz-me aos poucos de tal maneira que reunir todos esses retalhos meus e uní-los um a um é um trabalho sem fim e para o qual me falta a força e o ânimo.
Resolvi abandonar-me nas estradas e seguir com o que restou.
Assim sinto-me mais leve e como se fosse apagando aos poucos na história,
Restando apenas eu, um eu fraco, despido e ferido, escândalo e escárnio,
Que busca seguir mesmo sem força e sem coragem,

Apenas seguir, como quem não sabe onde deseja chegar nem porque deseja ir.

 

por Luis A R Branco

 

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