A realidade na Palestina

Posted on 3 de Agosto de 2014

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E aqui sigo balançando minha bandeira branca em nome da paz, enquanto leio artigos e frases de pessoas que se dizem cristãs apoiando o massacre dos palestinos em Gaza. Embora muitos não acreditem, não sou contra os israelenses e nem contra os palestinos, sou contra toda e qualquer violência, pois o meu Deus, o Deus da Bíblia é o Príncipe da Paz.

Infelizmente poucas pessoas estão interessadas em ler literatura séria sobre o assunto, sem parcialidade e buscar entender o que se passa, ao invés de fazer o papel de advogado do diabo ao incitar o ódio e a violência. Estes não são salvos e nem filhos de Deus, pois os filhos de Deus são pacificadores (Mt 5:9). Sem conhecimento real dos fatos pelas vias históricas e dos estudiosos sobre o assunto, dão ouvidos a pessoas iracundas, e do sofá de suas casas, empanturrados de comida apontam o dedo e ditam vereditos. Hipócritas!

O jornal The Christian Post publicou recentemente o seguinte: O menino (L) membro da família palestina Tayseer Al-Batsh, os quais os funcionários hospital disseram que foram mortos durante um ataque aéreo israelense no sábado, chora durante o funeral na cidade de Gaza, no dia 13 de julho de 2014. O ataque aéreo israelense contra a casa da família de Al-Batsh, chefe da polícia de Gaza, matou 18 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

“Os cristãos no Ocidente, a maioria deles, eles não sabem a realidade que vivemos aqui. Eles não sabem quem está ocupando o que, quem oprime quem, quem está confiscando a terra e o que significa a construção dos muros para tentar separar as pessoas uma das outras.” Disse Alex Awad, que também é pastor de uma igreja na parte leste de Jerusalém, ao The Christian Post.

“Nos Estados Unidos e grande parte da Europa as pessoas simplesmente não entendem a realidade vivida no terreno”, acrescentou.

Segundo Awad, a realidade é que as causas do conflito em Gaza são muito mais antigas que seqüestro e assassinato de três adolescentes israelenses. Em vez disso, ele culpa Israel por não seguir com o plano do Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em que o país foi obrigado a libertar prisioneiros palestinos, pessoas que ele sugere que foram detidas injustamente após protestarem contra os assentamentos na Cisjordânia. Awad acredita que a decisão de Israel em não seguir com as orientações dos Estados Unidos enfureceu ainda mais a população palestina (que vive economicamente desfavorecida). Ele também explicou que a atual guerra é uma forma de Israel esconder o problema com os assentamentos na Cisjordânia e desviar a atenção para para Gaza.

Atualmente mais de 680 mil judeus ocupam terras palestinas através dos assentamentos promovidos por Israel, guardados por uma forte guarda do exército israelense. Israel construiu inclusive estradas ligando estes assentamentos uns aos outros e a Jerusalém, no entanto, mesmo em território palestinos, estes são proibidos de utilizarem estas estradas.

“A mídia não conta a história completa com todos os fatos, pois assim as pessoas entenderiam a real causa do conflito”, disse Awad. “Estas coisas não aconteceram em silêncio. O que está acontecendo hoje em Gaza -. Ataque israelenses aos foguetes do Hamas em Israel -. Isso não aconteceu no silêncio. A maneira que os israelenses tratam os prisioneiros palestinos, e também o colapso do processo de paz por parte de Israel, fortaleceu o ódio dos palestinos e nos conduziu a está presente situação.” […]

“Os cristãos palestinos em Gaza hoje sofrem tanto quanto os muçulmanos palestinos. Eles estão sob bombardeio. Eles têm apenas oito horas de eletricidade de cada 24 horas. Eles têm dificuldade em obter água fresca”, disse ele. “Os cristãos palestinos, eles não vivem em uma área isolada, tipo uma cidade cristã. Não, eles vivem entre os muçulmanos em Gaza e, portanto, tanto quanto os muçulmanos estão sofrendo, os cristãos estão sofrendo, não só na Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia. ”

No entanto, os cristãos palestinos não se tornaram violentos, Awad enfatizou.

“Os cristãos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza não são fazem parte parte da luta. Nós não estamos lutando do lado do Hamas. Nós não estamos lutando do lado de Israel. A maioria dos cristãos são neutros neste conflitos. Mas em nossos corações, sabemos que precisamos ficar ao lado de nossos irmãos e irmãs palestinos, mesmo os muçulmanos, porque sabemos que eles são os únicos sob ocupação, eles são os únicos que estão sob a opressão, e isto é muito óbvio para as pessoas que vivem aqui, o que acontece é realmente uma violação dos direitos humanos por parte de Israel”, disse Awad.

“Nós somos uma parcela integrante do povo palestino. Nós acreditamos em Jesus Cristo. No entanto continuamos sendo árabes e palestinos. Nós falamos a língua árabe. Nós nos consideramos palestino”, acrescentou.

Awad disse que, apesar do seu sentimento comum de “estar sob o mesmo jugo da opressão” que o une com seus compatriotas palestinos, o seu “coração lamenta por qualquer muçulmano, cristão, judeu e israelense, qualquer que seja sua religião e sua nacionalidade, mas que foi afetado de alguma forma por esta guerra desnecessária “.

Issa Tarazi, diretor-executivo do Near East Council of Churches, disse recentemente ao National Catholic Register que os ataques aéreos em Gaza”estão afetando todos os cristãos e muçulmanos, os cristãos sofrem o mesmo que todas as outras pessoas de Gaza, as mesmas ameaças e a mesma pressão.

Cristãos palestinos, alguns dos quais, como Awad que vivem em Israel, estão no meio da violência desde que começou no início de Julho.

De acordo com o National Catholic Register, “Em Israel, os cristãos que vivem nas áreas atingidas por mais de 350 foguetes palestinos nos últimos dias têm sido forçados a buscar refúgio em abrigos antiaéreos. Na região controlada pelo Hamas na Faixa de Gaza, até sexta-feira tinha sofrido cerca de 1.000 ataques aéreos israelenses que visam destruir foguetes palestinos e lançadores de foguetes, a pequena comunidade cristã que ali vive tem tentado lidar com a violência.”

Enquanto isso, a pequena população cristã de Gaza, cerca de 1.000 cristãos, que vivem ao lado de dois milhões de muçulmanos da região, têm sido alvo da violência que já [matou mais de mil] palestinos, [a maioria civis, mulheres e crianças] desde que os combates começaram. Não há relatos de mortes de civis israelenses.

Não podemos nos calar, mas devemos denunciar as atrocidades cometidas por Israel e Hamas e exigir que a comunidade internacional intervenha neste conflito. Há sessenta anos que Israel vem paulatinamente destruindo tudo que existe em Gaza e na Cisjordânia, levando sofrimento e morte à milhares de pessoas.

Há no sangue judeu uma inquietação para a guerra. Shalom é apenas uma palavra e um sonho utópico deste povo. No passado, quando dominaram toda a palestina, entraram em guerra civil, dividiram o país em dois e lutaram uns contra os outros por 140 anos, uma das mais longas guerras da qual se tem notícia, judeu contra judeu. Se os palestinos não estivessem lá, provavelmente estariam lutando entre si. Esta guerra de 140 anos os enfraqueceu de tal maneira que ambos os lados, um após o outro foi invadido e levado cativo para outras partes do mundo, e nunca mais houve uma nação de Israel livre, mas sempre sob o domínio de algum povo, até a criação do Estado de Israel em 1947.

por Luis A R Branco
 

Nota: Uma porção do texto foi extraída do The Christian Post: http://www.christianpost.com/news/palestinian-christian-western-christians-dont-understand-gaza-israeli-conflict-123272/

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