Estrelas

Posted on 11 de Julho de 2014

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Extraído do Google Imagens

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Estes dias lembrei-me dos tempos de criança quando junto com meus pais e irmãos deitávamos no relvado atrás da nossa casa nos dias de noite escura para contemplar as estrelas. Quantas foram as vezes que tentei contar as estrelas na inocência de ser o primeiro a alcançar tamanha façanha.

Foi ali naquele relvado ao lado da minha família que descobri que as estrelas cadentes eram de verdade, e víamos tantas. Quando ali deitado, sem medo do escuro, absorvido pela companhia da família e pela beleza dos astros, o céu, a lua e as estrelas me pareciam tão próximos, em minha vaga lembrança tenho a sensação de que era quase possível tocá-los.

Hoje, já envelhecido, embora insistam em dizer-me que sou novo, sinto-me velho por serem longas e muitas as estradas por mim já percorridas, quando consigo finalmente encontrar um relvado, uma escuridão e reunir a doce companhia da família, esposa e filhas, o céu parece-me tão distante, os astros parecem-me intimidados pelos meus poucos cabelos brancos, vista que vai enfraquecendo, alma que já perdeu a sua inocência e tantos pensamentos que rodeiam minha mente, que as vezes até esqueço-me para o que estou a olhar.

As estrelas cadentes são raras, uma ou duas no máximo e muitas vezes nenhuma. Será o céu que nega-me o espetáculo de outrora ou será meu olhar e pensamento que de tão poluídos pelas luzes e mesmo a escuridão artificiais já perderam o encanto?

Nem resposta, nem estrelas, nem ternura, só uma vaga lembrança que aos poucos vai se apagando na minha memória enquanto tento reacendê-la na memória das minhas filhas.

por Luis A R Branco

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Posted in: Aforismo, Crónica, Prosa