A VELHICE NOSSA DE CADA DIA

Extraído do Google Imagens

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A velhice aflora lentamente, como uma dádiva ou destino nosso de cada dia,
Chega enfraquecendo o corpo e a mente paulatinamente, quase imperceptível.
Um dia olhámo-nos no espelho e lá tu estas,
Tão presente, tão marcante, tão distante daquele que um dia fomos.

A velhice aflora lentamente, como uma dádiva ou destino nosso de cada dia,
Levando para longe nossa juventude e vigor.
Um dia apercebemo-nos da pele enrugada, dos cabelos embranquecidos
E da memória que recusa-se a olhar para frente, mas para um passado que já não existe mais.

A velhice aflora lentamente, como uma dádiva ou destino nosso de cada dia,
Traz consigo a sabedoria, fruto de anos a fio de nossa ignorância.
Um dia encontramo-nos a aconselhar os mais jovens
A não fazerem o que fizemos e gostamos.

A velhice aflora lentamente, como uma dádiva ou destino nosso de cada dia,
Com ela surgem as dores do corpo e da mente.
Arrependimentos pelo que fizemos ou deixamos de fazer,
Remorso por atitude tão mesquinha, tão humana, tão nossa.

A velhice aflora lentamente, como uma dádiva ou destino nosso de cada dia,
Com ela ressurgem as lembranças dor amores não vividos.
Amores que vieram, passaram e se foram,
Mas o melhor deles ficou e connosco envelhece nesta mesma sina inevitável.

A velhice aflora lentamente, como uma dádiva ou destino nosso de cada dia,
Apagando lentamente a luz da vida temporal, enquanto acende outra na atemporal.
O corpo finalmente se rende, curvando-se diante desta implacável realidade,
Com os olhos enfraquecidos contemplamos um horizonte que apaga-se lentamente,
E como que num teatro abrem-se as cortinas de uma nova dimensão.

por Luis A R Branco

 

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3 pensamentos sobre “A VELHICE NOSSA DE CADA DIA

  1. A palavra “velhice” nem deveria existir,diante o ciclo natural de nossas vidas,visto que já nascemos a seguir nossos desígneos: nascer,viver e morrer…Parabéns,pelo poema. Deixo mais uma vez uma crônica de minha lava,que como sempre nossas escritas, em um texto ou outro se assemelham: PVC

    Por Zinah Alexandrino

    Ninguém escapa desse inimigo antagônico do ciclo da vida que permeia nossas horas (o tempo).
    Mal você acaba de nascer,começa a envelhecer.Não estaciona, a não ser com a morte e quando se morre jovem, o que não é vantagem para ninguém; nem para os que se vão e nem para os que ficam.
    “Crescei e multiplicai-vos”! Essa foi a ordem que nos foi passada pelo Doador de nossas vidas. Mas o homem, esse curioso nato, não se deu por satisfeito, teve que vasculhar os registros do céu para ver se havia mais alguma coisa para herdar e mal sabia ele que à sua sombra rondava um inimigo voraz querendo apoderar-se da sua imortalidade (sua maior herança).
    Como aconteceu isso? Todo mundo sabe: Lúcifer,o anjo caído personificou-se em serpente e ofereceu o fruto do conhecimento do bem e do mal para Eva que, por sua vez, ofereceu–o a Adão. Eles comeram, descobriram que estavam nus e foram expulsos do paraíso.
    A partir daí, o homem começou a ficar escravo do tempo, perdeu sua imortalidade e partiu para a incessante busca pelo elixir da fonte da juventude. A medicina e a cosmética caminham de mãos dadas nessa busca. A cada dia inventam um novo paliativo: é o Botox, o Metacril, o DEMAE etc. É uma corrida maluca contra o tempo, a começar pelas academias de ginásticas. O homem tenta de tudo que há ao seu alcance para driblar seu maior inimigo, sem contar com uma gama de vitaminas que a indústria farmacêutica despeja no mercado.
    A disputa pelo novo é a grande coqueluche, e a maior preocupação do gênero masculino é com o desempenho sexual. E haja Viagra, Cialis, Livitra e suas conseqüências, mas eles não se preocupam com efeitos colaterais porque a grande tônica é retardar a velhice em todas as suas formas. Começa pelo guarda-roupa. Há pessoas inconformadas que vivem “em busca do tempo perdido”, e chegam a se expor ao cúmulo do ridículo. Vemos senhores que se vestem a maneira de um garoto de dezoito anos e mulheres sessentonas que apelam mais ainda, expondo a barriga à moda das adolescentes.
    Parecer velho, somente em fila de banco, e muitos para não chamarem a atenção para sua verdadeira idade dispensam essa prerrogativa se postando na fila comum a todos. Sabemos de pessoas idosas que têm vergonha de dizer que têm calos, azia e dores na coluna. Tudo isso porque se prega por aí que esses sintomas são queixas de velhos. Outros não querem admitir que estão cansados quando lhes oferecem uma cadeira ou ajuda para subirem a um degrau qualquer. Dispensam dando uma de forte.
    Parafraseando o apóstolo Paulo, em um verso de uma de suas epístolas, quando se referiu às tentações da carne: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca…”. Para aqueles que não querem assumir suas limitações; porém, eu digo: o espírito está pronto mas o corpo é que não resiste.
    Um dia desses, me queixava para um sobrinho do preço de um remédio que o médico me receitara para as dores lombares, ele o segurou e perguntou: —- isto é PVC? Surpresa, com a estranha pergunta, imaginei: PVC é uma marca de cano! Não cabia ao assunto que falávamos. Ele rindo ironicamente respondeu-me: — é a Praga da Velhice Chegando,tia!!!

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