O desafio da pós-modernidade

Um simples cristão com a Bíblia na mão pode dizer que a maioria está errada.

– Francis Schaeffer

Extraído do Google Imagens

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Nossa geração enfrenta uma crise que tem afetado toda a vida, seja nas áreas da psicologia, antropologia, sociologia, filosofia ou teologia, questões que no passado eram definidas, retornam nesta era como grandes desafios para sociedade. As questões que envolvem a homossexualidade, aborto, eutanásia, racismo, pobreza, religiosidade entre outras, voltaram para um estado de indefinição. No entanto, é bom ressaltar que estas questões perturbam não apenas a da igreja, mas toda a sociedade.

Este estado de indefinição não é uma questão que afeta apenas a igreja, mas toda a sociedade, porém vivemos um momento em que de um lado está a sociedade que acredita que suas dúvidas são legítimas e para as quais não existem resposta. A sociedade não quer resposta, quer apenas permanecer neste estado de intermitente desafiando toda sorte de absolutos com perguntas para as quais nem ela mesmo não possui respostas. Já do outro lado está a igreja, que acredita possuir todas as respostas e sem nenhuma piedade, humanismo, conhecimento de causa e sabedoria bíblica, se diz pronta para responder qualquer pergunta, inclusive aquelas que ninguém fez. Com isto não quero insinuar que a Bíblia não possua as respostas para o drama humano, mas sim, que a igreja abandonou a Bíblia e tenta responder à sociedade com sofismas.

A era pós-moderna conduziu-nos, sociedade e igreja a um estado de indefinição quanto à questões elementares da vida. A crise de valores não é um problema exclusivo da religião, em especial do cristianismo, é uma crise da humanidade. Esta indefinição ideológica é com certeza uma das marcas do pós-modernismo. E o que é a pós-modernidade? A pós-modernidade é determinada pelo fim da verdade absoluta, nem a filosofia e religião, nem mesmo a ciência podem ser consideradas fontes de verdade absoluta. O pós-modernismo rejeita toda forma de verdade absoluta, criando um mundo relativo, onde a verdade é individual, sendo que o que é verdade para um, pode não ser para outro, e vice-e-versa.

O filósofo francês Gilles Lipovetsky prefere usar o termo “hipermodernidade”, e alega que alguns dos efeitos da mesma na sociedade são individualismo, consumismo, problemas éticos e o hedonismo.

Os efeitos da pós-modernidade também podem ser sentidos na igreja. E aqui não estamos falando de igrejas liberais e espiritualmente adormecidas, mesmo nos redutos conservadores seus efeitos podem ser sentidos. É importante ressaltar também que o pensamento pós-moderno não está institucionalizado, como se fosse apenas uma norma de conduta das instituições governamentais e privadas, mas é acima de tudo o pensamento do indivíduo, que em busca de liberdade, faz a opção por privatizar a verdade para usá-la conforme lhe for mais conveniente.

Um dos efeitos mais catastróficos da pós-modernidade na igreja está relacionado com a autoridade das Escrituras Sagradas. Nos movimentos neo-pentecostais, e em boa parte dos pentecostais, a autoridade do líder tem a mesma ou até mais autoridade que a Bíblia. Evidentemente que é tudo muito subjetivo, eles não dizem que é assim, mas ao serem questionados sobre certas doutrinas e ensinamentos, dizem, por exemplo, que se trata de uma revelação espiritual. Associado ao problema na negativa da autoridade da Bíblia, acham-se no direito de interpretarem as Escrituras Sagradas segundo os seus padrões, esquecendo que a Escritura interpreta-se a si mesma. E com isto re-interpretam posições teológicas e e assumem um behaviorismo, segundo os seus critérios. É por isso que hoje quando um pastor divorciado é questionado sobre o divórcio, ele terá sua própria interpretação que justifica a sua situação. E assim se repete com todos os outros casos, tais como homossexualidade, aborto, eutanásia, racismo, pobreza, religiosidade e outros. Quando confrontados com a palavra, sempre apresentarão suas razões recheadas de erros teológicos e de uma espiritualidade vazia. Sobre a qual o apostolo Paulo disse a Timóteo: “Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade […]” (2 Tm 2:4).

Por mais que a pós-modernidade tenha afetado todo o sistema de crença do homem, ainda não conseguiu responder de forma satisfatória quatro questões fundamentais da vida. São questões que assombram a espécie humana e que de uma forma ou de outra, todos nós, em algum momento da vida teremos de lidar. Em uma das conferências do Desiring God, de John Piper, foi esclarecido que “alguns as enfrentam na juventude, outros na velhice, alguns em momentos de saúde e outros no leito de morte. Estas perguntas não estão relacionadas à cor, raça, sexo, posição social ou religiosa, são sempre as mesmas perguntas: As quatro perguntas são: 1. Quem sou eu? 2. Por que estou aqui? 3. O que está errado no mundo? 4. Como podemos consertar o que está errado?”[1] E sobre estas perguntas pensaremos individualmente nas próximas semanas.

por Luis A R Branco

[1] John Piper, Justin Taylor. A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno: Rio de Janeiro, CPAD, 2007, pág. 57.

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