Depressão

Posted on 1 de Maio de 2014

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Extraído do Google Imagens

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Queria levantar-me, mas mal consigo acordar,
Queria correr, mas mal consigo andar,
Queria voar, mesmo que em sonhos, mas mal consigo dormir.

Sinto meu corpo agarrado a cama,
Sinto meus pés acorrentados ao chão,
Sinto meu quarto como uma prisão que construí e no qual tranquei-me com as próprias mãos.

Vejo o sol de longe, o céu azul e a beleza das flores parecem convidar-me a sair,
Vejo que no mesmo instante um sentimento inexplicável toma conta de mim,
Vejo o sol se pôr, a lua se levantar e o fim de mais um dia sem sentido.

Queria ter a força que dizem que preciso ter,
Queria ter a vontade que dizem que devo exercitar,
Queria a normalidade de um dia.

Sinto uma revolta contra mim mesmo por deixar-me conduzir desta maneira,
Sinto um desejo imenso de poder mudar e rescrever meus dias,
Sinto uma indiferença mais forte que tudo e que obriga-me a deixar as coisas como estão.

Vejo as horas, os dias, as semanas e meses passarem como se fossem uma locomotiva que passa sobre mim,
Vejo a solidão sentada ao lado, companheira fiel e inseparável,
Vejo o vazio dos que abandonei, dos que abandonaram-me, dos que nunca vieram e dos que nunca convidei.

O que resta-me meu Deus? Se não esperar em ti, com a esperança que é dada a mim por aquele que trilhou estes mesmos caminho e chamado de Príncipe dos Pregadores escreveu: “Deus escreve com uma pena que nunca borra, fala com uma língua que nunca erra, age com uma mão que nunca falha.” [1]

por Luis A R Branco

[1] Frase de Charles Haddon Spurgeon

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Posted in: Poesia, Prosa