Aforismos de uma alma inquieta

Posted on 15 de Março de 2014

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Sou um buraco vazio e sem fundo,

Não sei explicar porque.

Sinto uma dor na alma,

Para a qual não existe remédio.

Tudo ao meu redor parece-me estático e monótono,

Enquanto dentro de mim há uma turbulência sem fim.

Perguntam-me por que sou assim?

Perguntam-me a razão de tamanha inquietude?

Perguntam-me que vazio é este?

São tantas as perguntas para alguém que não tem nenhuma resposta.

Por que há necessidade de tudo explicar?

Por que não há simplesmente quem ouça sem nada falar?

Não busco respostas, não busco soluções,

Quero ser apenas eu, assim, complicado, dolorido, choroso, melancólico, poeta.

Não, no mundo não há lugar para quem não tem respostas,

Não há lugar para alguém com sentimentos inexplicáveis,

Por que não conceber a complexidade do gênero humano?

Sou corpo, alma e espírito,

Como saber onde encontra-se minha inquietação?

Para o corpo fui medicado, sem contudo ser sarado.

Para a alma fiz terapia, sem contudo encontrar paz.

Para o espírito fiz oração, sem contudo ser respondido.

Já não sei se sou eu o doente ou os outros,

Se sou eu, aceito a sina e busco a cura,

Se são os outros, por que culpam-me?

Por que exigem de mim a mudança?

Mundo cruel, para sãos e doentes!

Não creio na saúde de alma alguma, para mim são todas doentes,

Nunca conheci um homem são!

Os que se dizem sãos são os mais doentes,

Já assumi a doença, já preparei-me para a dor,

Pois na vida tudo dói!

Um dia censuraram-me por falar tanto na dor,

Noutro dia obrigaram-me a negar o que sou é o que sinto,

E simplesmente vestir uma falsa capa de normalidade.

Não nasci para capas, nasci para andar com a alma desnuda,

Nasci para causar escândalo, como causou-me Teresa, a santa que emanava luz, mas se dizia andar nas trevas, era outra de alma inquieta.

Sou isto, isto o que vê, e que muda a cada instante,

Quando explico o que sou, ao final da frase já sou outro,

Com novas dores, novas inquietações, novos vazios.

Não, não tenha pena de mim, detesto pena,

Como disse a poetisa, ‘nem Salomão em toda sua glória foi mais feliz do que eu’ em minha infelicidade,

Nem o sol do meio dia é mais claro do que eu em minha escuridão,

Nem o mais saudável tem mais vigor do que eu em minha fraqueza,

Nem o mais sábio compreende mais do que em minha ignorância.

Não sou perdido,

Não sou confuso,

Não sou sem fé,

Sou apenas um poeta, sou apenas contradição…

por Luis A R Branco

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Posted in: Filosofia, Poesia