Mesquinharia Espiritual

Emotion-5Hoje enquanto lia e refletia sobre a vida fui levado a pensar em algo cuja melhor definição que encontrei foi “mesquinharia espiritual”. Com isto quero dizer que acredito que há um estilo de vida que é pautado pela mesquinhez, um estilo de vida inspirado em sentimentos vis e uma perspetiva da vida em todos os seus pressupostos muito limitada. 

Os mesquinhos espiritualmente são aqueles que se dizem cristãos e vivem a vida toda ao redor do evangelho, mas nunca o experimentaram de fato tal como o descrito nas Escrituras Sagradas. São pessoas de alguma forma envolvidas com a vida da igreja ou com o reino de Deus de forma superficial, ou seja, nunca se entregaram a Deus, ao seu Espírito Santo, a obra regeneradora do Filho, a esta mística ação maravilhosa da Santíssima Trindade na vida daquele que pertence a Deus.

Os mesquinhos espiritualmente nunca saem do mesmo ponto, andam em círculos, não desenvolvem dons e talentos, não se submetem ao senhorio de Cristo que se manifesta em nossas vidas através da nossa comunhão com a igreja visível. São eternamente nostálgicos sobre um tempo que já passou e não existe mais, gloriam-se de tempos que já evaporaram na história e viraram fotografias amareladas em caixas de velharias guardadas.

Os mesquinhos espiritualmente têm uma visão muito elevada de si mesmos, se acham “a pedra de grande valor do reino de Deus” esquecendo-se que a verdadeira pedra é Cristo. Estão sempre a comparar suas vidas não com o padrão de vida cristã do evangelho, mas com aqueles que desprezam e se acham superiores. São apegados as coisas desta vida, coisas materiais que serão consumidas pelas traças, gloriam-se das suas ofertas sempre dadas com o conhecimento de alguém.

Os mesquinhos espiritualmente são pessoas doentes, não do corpo, mas da alma, para a qual rejeitam todo tipo de cura. São pessoas amarguradas, queixosas, altamente sensíveis, e sempre envolvidas numa disputa qualquer com outras pessoas.

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Os mesquinhos espirituais não crescem na fé, não se aprofundam no conhecimento de Deus, não são dados a oração comunitária, são balões de ar prestes a estourar a qualquer momento. Leem a Bíblia mas não a compreendem, não são penetrados pela Palavra, consequentemente não são lavados pela Palavra de Deus. São seres de almas sujas, manchadas e marcadas por pecados ocultos, desejos escondidos e paixões não reveladas.

Não acredito na salvação espiritual deste tipo de gente, estão longe demais da verdade, muito seguros de si mesmos, muito envolvidos com as coisas desta vida, por demais levados por seus sentimentos tenebrosos. Acredito que estes são palhas para o fogo, são joios para serem separados, são virgens imprudentes para serem deixadas para trás, são servos infiéis para serem lançados na escuridão eterna.

Neste domingo fui abordado por um menino de nove anos na igreja, de alma sublime, que veio me perguntar como fazer para tomar parte da Ceia do Senhor e ser batizado. Disse-me ele com alegria, este ano de 2014, já leu nove livros (quase um livro por semana). Meu coração se encheu de júbilo ao conversar com esta criança e ver sua fé em Cristo. Prometi batizá-lo no verão e ele saiu da igreja com um sorriso de orelha a orelha. Ah, como seria bom ver mais crentes assim! Mas o duro trabalho pastoral exige de nós a paciência para lidar com a mesquinharia espiritual enquanto pastoreamos a igreja de Deus.

Vou terminar usando uma declaração que Nietzsche usou contra o cristianismo, mas a vida e o tempo provaram que Nietzsche estava errado e hoje uso sua declaração em favor da fé:

“As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço−as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial… Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo… Auto−reverência, amor−próprio, absoluta liberdade para consigo…

Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. – É preciso tornar−se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em desprezo…”[1]

– Friedrich Nietzsche 

Só há uma hipótese de sair desta mesquinharia espiritual, lutar contra si mesmo, seus hábitos, vontades, sentimentos, sair da escuridão e procurar a luz, abandonar a mentira e viver na verdade, ser inteira e verdadeiramente convertido. Orar como orou Jeremias: “Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes.” (Lamentações 5:21).

por Luis A R Branco

[1] Friedrich Wilhelm Nietzsche, The Antichrist (publication place: CreateSpace Independent Publishing Platform, 2013).

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