Florbela Espanca

Posted on 24 de Fevereiro de 2014

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Florbela_EspancaNascida no dia 8 de Dezembro de 1894 em Vila Viçosa, no Alentejo. Florbela Espanca veio a se tornar uma das poetisas mais queridas e mais profundas entre os poetas portugueses. Suas primeiras poesias datam dos anos 1903 – 1904, com o poema “A Vida e a Morte”, soneto que escreveu em homenagem ao irmão Apeles, e outro escrito ao pai no dia de seu aniversário. Filha de uma relação extraconjugal viveu entre a agonia da saudade da mãe e a vida confortável providenciada pelo pai, apesar deste só a ter reconhecido como filha oficialmente como filha apenas dezoito anos após a morte de Florbela.

A vida amorosa da poetisa foi conturbada, casou-se pela primeira vez em 1913 com um amigo de escola, mas três anos mais tarde já havia largado o marido e foi viver com outro homem. Em 1925 passou pelo segundo divórcio, vindo a casar-se pela terceira vez no mesmo ano.

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Em 1917 Florbela matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi uma das catorze mulheres entre os trezentos e quarenta e sete alunos matriculados.

Após a morte do irmão em um trágico acidente de avião, a vida da poetisa passou a ser repleta de instabilidade emocional e tentou o suicídio duas vezes, mais em Outubro e Novembro de 1930, na véspera da publicação da sua obra-prima, Charneca em Flor, após um diagnóstico de uma edema pulmonar, a poetisa perdeu definitivamente a vontade de viver. Não resistiu à terceira tentativa do suicídio e faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, a 8 de Dezembro de 1930. A causa da morte foi uma overdose de barbitúricos.

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A poetisa teria deixado uma carta confidencial com as suas últimas disposições, entre elas, o pedido de colocar no seu caixão os restos do avião pilotado por Apeles quando sofreu o acidente. O corpo dela jaz, desde 17 de Maio de 1964, no cemitério de Vila Viçosa, a sua terra natal. Leia-se a quadra desse “admirável soneto que é o seu voo quebrado e que principia assim: “Não tenhas medo, não! Tranquilamente,//Como adormece a noite pelo outono,//Fecha os olhos, simples, docemente,//Como à tarde uma pomba que tem sono…

por Luis A R Branco

Ser Poeta (Florbela Espanca)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Fonte: Entre outras, “Florbela Espanca,” Wikipedia, February 24, 2014, accessed February 24, 2014,http://pt.wikipedia.org/wiki/Florbela_Espanca.

Imagem: 1. Pintura de Florbela Espanca (2008) por Carlos Botelho. 2. Casa onde viveu Florbela Espanca em Vila Viçosa (imagem feita pelo autor). 3. Túmulo onde jaz o corpo da poetisa também em Vila Viçosa (imagem feira pelo autor).

Poesia: Texto extraído do livro “Sonetos”, Bertrand Brasil. Rio de Janeiro, 2002, pág. 118.

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Posted in: Biografia, Poesia