Onde está, ó Morte a tua vitória?

Posted on 14 de Dezembro de 2013

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Morte, cavaleiro da escuridão e do medo.

Tua face nunca foi vista pelos homens, mas és conhecido e temido por todos.

Mesmo os mais valentes dos homens, aqueles que enfrentam-te sem estremecer, temem à tua aproximação daqueles a quem amam.

Nem mesmo Aquiles que banhava-se nas águas sagradas do Estige escapou à tua fúria envenenada.

Morte, cavaleiro da escuridão e do medo.

Chegas sempre de surpresa, não respeitando nem o dia e nem a hora.

Não tens piedade de crianças, jovens ou velhos, nem mesmo dois amantes que acabam de descobrir o amor escapam a tua crueldade.

A surpresa é teu grande trunfo e teu maior instrumento de dor.

A semelhança do que Sísifo fez com Tânato, tentamos enfeitar a morte com flores e assim apaziguar a dor.

Morte, cavaleiro da escuridão e do medo,

Por que viestes tantas vezes e em tão pouco tempo?

Por tua causa encontro-me num vazio enorme, ando de um lado ao outro a procura daqueles que levaste na esperança de que tudo não passou de um pesadelo e que retiveste a tua fúria por mais um instante.

Mas nada encontrei senão os rastros deixados por Nix e suas filhas perversas.

Morte, cavaleiro da escuridão e do medo.

Procuro em vão por quem já não existe mais.

Em seus lugares deixaste a saudade, a lembrança, a culpa, e uma tristeza sem fim.

Por que quando te chamo tu não vens a mim para me juntar aos meus?

A minha espera por tua chegada também faz parte da tua crueldade.

Foi inspirado por ti que Olaf Trugvasson manteve as völvas numa longa e terrível espera pela morte.

Morte, cavaleiro da escuridão e do medo.

Nem ao Filho de Deus poupaste, antes o feriste, como fere a todos os homens.

Sim Morte, tu triunfas sempre. É um impiedoso vencedor, mas já experimentaste a derrota, pois nem com toda a tua força conseguiste segurar o Autor da Vida que ao terceiro dia ressuscitou.

Morte, cavaleiro da escuridão e do medo,

Teus dias estão contados, aquele que sobre ti triunfou, o Filho bendito de Deus, viu tua face, olhou nos teus olhos e prometeu o teu fim.

Que mais tenho eu,  senão acreditar nesta única promessa de uma vitória final?

E então finalmente os homens serão livres e cantarão:

“Onde está, ó Morte a tua vitória?

Onde está, ó Morte, o teu aguilhão?”

Luis A R Branco

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Posted in: Filosofia, Poesia