A poesia é autónoma

A poesia é autónoma do eros,
É possível poetizar sobre a beleza de uma flor sem a necessidade de uma amante.
A poesia é autónoma e por isto é a única forma de experimentar o ágape na sua plenitude,
É possível poetizar sobre o amor sem a necessidade de um objeto a ser amado.
A poesia é autónoma do filia,
É possível poetizar com ternura e afeição sobre um transeunte desconhecido que desaparecerá na esquina seguinte.
A poesia é autónoma de storge,
É possível poetizar sem laços de pertença a um ou a outro, mas livre para amar humanidade como a um todo.

A poesia é autónoma inclusive do poeta, ele se vai e ela fica, ou ele fica e ela se vai. Numa autonomia completa, linda, mística que só quem ama poesia é capaz de compreender.

Luis A R Branco

(Nota explicativa dos termos gregos)
Eros (έρως) é o amor no sentido de “estar no amor”, àquele estado que
chamamos de “estar amando”; ou, se preferir, àquela espécie de amor em que os amantes estão “envolvidos”.
Ágape (αγαπη) é um amor dirigido a um vizinho que não depende de nenhuma qualidades adoraveis que o objeto do amor possui. É o amor que não espera retorno.
Filia (φιλια) é uma forte ligação entre pessoas que compartilham um interesse ou uma vida comum.
Storge (στοργη) é o afeto com a família, especialmente entre os membros da família ou pessoas que se encontraram de outra maneira por acaso.

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