Um próspero Ano a Menos

Posted on 26 de Dezembro de 2011

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Enquanto sentado aqui em casa, desfrutando deste momento de festas entre Natal e Ano Novo, me veio a mente vários pensamentos, alguns dos quais apontei num jornal pessoal, mas resolvi compartilhar uma coisa ou outra destes pensamentos, para quem sabe, edificar alguém.

O Ano Novo é uma ocasião interessante, fazemos vários planos, estipulamos metas, lançamos-nos em novos desafios, resolvemos dar cabo definitivamente de alguns problemas que nos perseguiram durante este ano que finda, etc. Na verdade, o Ano Novo é uma ilusão, ele nos enche de uma certa esperança, mas nos passa uma mensagem errada. No fundo acreditamos que o Ano Novo é uma oportunidade de voltar atrás, uma nova oportunidade de fazer o que não fizemos, mas não é bem assim. O Ano Novo não nos transporta ao passado, na verdade ele é apenas um mensageiro que nos diz que nossas chances diminuem a medida em que o tempo passa. Funciona assim, o amor e dedicação que não destes a tua família no ano passado, não terás a oportunidade de dar este ano, significa na verdade que amaste e dedicastes a eles um ano a menos. A Bíblia que não lestes este ano, os livros que deixastes de lado, as orações não feitas, não terás a chance de fazer tudo isto este ano, mas que terás um ano a menos para os fazer. Se calhar, o nome bom não seria “Ano Novo”, pelo menos na nossa vida prática, mas sim, “Um Ano a Menos”.

Existem três relógios que trabalham contra nós, o relógio do tempo, este nunca para, segue sempre, nunca volta ao mesmo ponto, nunca recomeça, vai indo e indo sem parar e sem esperar por nós. Lembro-me quando por 30 segundos perdi o comboio (trem) que me levaria de Nova Delhi para Goa, e desapontado, tive que esperar dias até seguir viagem. Cheguei à plataforma e vi os vagões partirem, até corri atrás, mas as portas já fechadas e a velocidade só me deixaram na desilusão de algo que se foi, que não teve a decência de me esperar, que partiu e me deixou ali. É assim o tempo, não para à nossa espera, não importam as nossas desculpas ou razões, ele segue sempre adiante. O outro relógio é o biológico, esse também não perdoa. Hoje em dia, com o avanço dos cosméticos e das cirurgias plásticas, é até possível atrasar umas rugas aqui ou ali, mas lá dentro do corpo, e principalmente no cérebro a vida corre. E basta surgir uma doença crónica grave, e este relógio dispara sem misericórdia por nada que nos cerca. O último é o relógio da vida, ou do destino, se assim o quiser chamar, este é aquele que esconde os seus ponteiros, nunca sabemos que horas são ali, ele soa o alarme do fim, de um tempo ou da própria vida, quando menos esperamos, mudando completamente o rumo de todas as coisas que nos envolvem.

É necessário estar consciente do tempo que vai sem volta, para assim nos organizarmos para viver melhor e de maneira mais sábia. Enquanto termino este breve aforismo, me bate na alma um sentimento de urgência, não a urgência que me fará correr atrás do que nunca mais volta, mas de me organizar para viver sabiamente o tempo que ainda me resta. Cheguei a pensar em sugerir aqui algumas áreas em que talvez precisássemos organizar e trabalhar, mas vou deixar que seja você mesmo a descobri-las.

Um Próspero Ano a Menos!

Luis A R Branco

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