Uma palavra sobre a juventude na igreja

Acordei hoje pela manhã pensativo, logo após deixar minha filha na escola, voltei para meu cantinho, onde gasto uma boa parte da manhã mergulhado na Escritura Sagrada, e os pensamentos abundavam em minha mente, razão pela qual resolvi escrever esta nota.

Muitos ficaram decepcionados com as recentes declarações escritas e verbais de um jovem pastor norte-americano. Pastor de uma grande igreja, com uma capacidade impressionante de comunicação, atraiu muitas pessoas com o seu carisma. Suas frases, seus livros e vídeos eram usados por muitos que buscavam através deles comunicarem alguma mensagem. Confesso que nunca fui atraído por este jovem pastor, em suas entrelinhas e subjetividade já era possível perceber onde acabaria por chegar. Hoje suas mais recentes declarações de fé não soam mais como apenas uma mera perspectiva diferente de alguns pontos bíblicos, mas se tornou outro evangelho, que se crido como ele prega, conduzirá seus seguidores ao inferno.

Ruminando meus pensamentos, algumas perguntas me vieram à mente: Quem terá sido o pastor deste jovem pastor nos primórdios da sua fé? Quais terão sidos os sermões que ele ouvia domingo após domingo na igreja? Quais eram as leituras recomendadas do púlpito da sua igreja? Enquanto no seminário, se é que alguma vez esteve em um; quantas vezes seu pastor o convidou para uma conversa pessoal, desejoso de saber o que ele aprendia no seminário, e quais eram as suas dúvidas e pensamentos? Terão sido seus pais tementes a Deus?

É interessante observar que toda heresia nasce dentro da igreja, não nasce na sala de alguém que está longe do convívio da igreja, mas ali, no banco, é que ela é fomentada. Muitos pastores, no desejo de apenas de encher suas reuniões e de entreter seus membros, oferecem uma mensagem com respostas imediatistas para problemas imediatos. Deixam de oferecer às suas ovelhas doutrinas fundamentais da fé Cristã, que servirão de base para lidar com as questões da vida. O púlpito não é local para entretenimento, é local onde se apresenta com clareza o evangelho verdadeiro de Jesus Cristo. Se nossa congregação tem doenças constantes, se há muitos divórcios, se há constantes problemas de submissão a Cristo, se há muitas pessoas envolvidas na prática do pecado, se há intrigas constantes, o pastor deveria se perguntar: “Qual a mensagem que tenho pregado no púlpito desta igreja?” Nossas mensagens não podem ser circunstanciais, elas devem ser diretivas, devem ser a exposição clara do texto bíblico, e que conduzam as pessoas à uma vida de reflexão, dependência e submissão a Cristo. O pastor precisa entender que quanto mais tempo ele gastar na preparação de um bom sermão, de uma boa exposição do texto bíblico, regada com oração e aplicação pessoal, menos tempo ele precisará passar com pessoas em seu gabinete a resolver problemas, pois as pessoas saberão como conduzir as suas vidas diante daquilo que aprendem nas mensagens pastorais.

E o que dizer dos nossos jovens, eles são encorajados nas suas vidas, nos seu crescimento pessoal? O pastor precisa encontrar um caminho que o conduza ao coração dos seus jovens, mas devemos observar que este caminho não pode ser o conformismo com as atitudes e comportamentos da juventude destes dias. Acredito que a palavra chave é relevância, nossos jovens precisam entender que é relevante nos ouvir, e isto acontecerá se nossa atitude condizer com nossas palavras, se mostramos cuidado para com sua família e real interesse pela sua vida e pelo que faz. Quando servi como pastor de jovens, raramente nos reuníamos na igreja, as reuniões eram nos campos de futebol e quadras de basketbol (embora eu não seja muito fã de esporte (desporto) competitivo), nos reuníamos nos lagos onde assávamos algumas salsichas e depois mergulhávamos na água frias do lago, algumas vezes nos reuníamos nas suas casas ou na minha casa. Fazia um grande esforço para assistir suas apresentações musicais e teatrais nas escolas, e algumas vezes aceitei o convite de ir com eles

para conhecer seus colegas. Todas as famílias que tivessem filhos jovens e adolescentes recebiam minhas visitas e meus telefonemas, e durante o tempo que servi naquela igreja todos eles freqüentavam as nossas reuniões e ainda traziam seus amigos. Não havia nada de especial em nosso ministério, nunca me vesti diferente do faço hoje, domingo vestia terno (fato) e gravata, nunca mudei minha linguagem, nunca precisei furar a orelha ou fazer uma tatuagem para conseguir chamar a atenção deles, nunca precisei mudar o evangelho para conduzi-los a Cristo, no entanto, durante meu ministério os jovens foram o maior grupo de pessoas a serem batizadas na igreja. Quando deixamos aquela igreja, antes de embarcar no avião, eram umas cinco horas da manhã, veio um adolescente da igreja até o aeroporto, me abraçou e me deu uma carta, que guardo até hoje, onde fala do impacto do nosso ministério em sua vida. Recentemente um pai destes jovens me disse que seu filho disse que não quer ser pastor, mas sim pastor de jovens, e que eu havia sido o único pastor de jovem com quem ele havia convivido. Um ministério assim não requer muita coisa, na verdade não tínhamos nada, apenas um testemunho de vida.

E quanto aos nossos seminaristas, como os temos tratado? O pastor deve sentar-se constantemente com seus seminaristas, saber como vão as suas vidas, encorajá-los a desenvolver a disciplina da vida devocional, encorajá-los a lerem livros que possam ajudá-los a conciliar a lógica com a paixão, a teologia com a prática, e a letra com o Espírito. É preciso ouvir o que eles têm aprendido nas salas de aula, ajudá-los a entender certas coisas, a rejeitar outras, e acima de tudo a desenvolver uma teologia bíblica. É preciso criar oportunidades ministeriais, procurar uma forma de aproximar o seminarista da vida prática da igreja, como uma forma de acompanhamento. É uma grande irresponsabilidade deixar seminaristas completamente à vontade, sem acompanhamento próximo e sem lhes dar direção necessária. Entendo que esta não é e nem deve ser função dos seminários, mas do pastor.

Não podemos também nos esquecer dos pais. Estes precisam ser alertados constantemente de suas responsabilidades para com seus filhos. Deus nos deu os filhos, os quais irão viver conosco durante anos, na maioria dos casos, por quase duas décadas, e mesmo assim, os pais têm deixado que a vida de seus filhos lhes escorra pelos dedos. Não há desculpa que apague a tua responsabilidade como pai e mãe de guiar seus filhos a Cristo, como também não haverá consolo algum ao vê-los longe de Cristo. Quantas vezes você leu a Bíblia com seus filhos? Quantas vezes orou com eles? Quantas vezes os repreendeu e corrigiu no Senhor? Quantas vezes insistiu para que eles guardassem o dia do Senhor? Quantas vezes deixou de dar um bom testemunho cristão para seus filhos? Qualquer resposta negativa a estas questões acima, terá conseqüências na vida e futuro de seus filhos. Não listei acima o amor, pois tomo por pressuposto que você ama o seu filho, agora lembre-se, amor envolve tudo isto que estou falando. Há pais que deixam as oportunidades passarem, depois, o que podemos fazer a não ser orar e esperar em Deus por um milagre, pois numa análise lógica seus filhos já caminharam para muito longe dos caminhos da graça.

Os pais não podem ignorar os sinais da decadência espiritual na vida de seus filhos, é preciso lidar com estes sinais imediatamente, com sabedoria, amor, oração e se preciso ajuda pastoral. Ignorar as rebeldias, a carnalidade, o desrespeito para com as coisas de Deus e o abandono da comunhão, é um anúncio de que as coisas certamente irão correr mal mais a frente. Nossos filhos são influenciados por filmes, jogos, músicas e outras formas de arte, bem como esporte (desporto), moda e amizades, é preciso observar as coisas com as quais eles se envolvem e ajudá-los a discernir o que é errado. Hoje em dia, o satanismo tem entrado nas vidas de nossos jovens através destas coisas. Mesmo na igreja é possível observar jovens com práticas satânicas, mesmo que não saibam disso, algumas vezes são expressas através de desenhos, tatuagens, e linguagens terríveis. Como pode um jovem que teme a Deus, filho de pessoas que temem a Deus, ser dado e inspirado a fazer desenhos onde só há morte, sangue, pessoas dilaceradas, vampiros, etc.? Não ignore estes sinais dados por seus filhos, vá para a oração e busque oportunidade para tratar do assunto com sabedoria.

Enquanto termino esta observação, termino com o coração cheio de clamor, para que sejamos capazes de no Senhor, responder aos desafios que surgem adiante de nós!

Rev. Luis A R Branco

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