O primeiro milagre do heliocentrismo

Começo este breve artigo com a promessa de ser o mais breve possível, mas achei que não podia deixar passar em branco uma resposta ao Sr. Hélio Schwartsman, da Folha de São Paulo, depois que li o seu artigo “O primeiro milagre do heliocentrismo”, publicado na página da Folha de São Paulo, em 03/12/2009.[1]

Em primeiro lugar é bom esclarecer que o Brasil não é um país privilegiado com a facilidade das suas leis no que diz respeito à abertura de empresas, organizações e igrejas, pelo contrário, encontra-se entre os mais burocráticos e dispendiosos do mundo. Uma pena, pois isto leva o Brasil a um atraso significativo no seu desenvolvimento e afasta investidores.

Em segundo lugar, seria importante que o Sr. Hélio descrevesse como foram gastos os R$418,42, pois assim veríamos que uma boa parcela deste valor foram gastos com “cartórios”, hoje um rentável negócio no Brasil. Mas o nosso assunto são as igrejas, e não os cartórios, quem sabe fica ai uma dica para o Sr. Hélio fazer uma reportagem que realmente interessa aos leitores da Folha.

Em terceiro lugar é bom dizer ao Sr. Hélio, que o Brasil é um país livre, que a liberdade de culto é uma garantia constitucional e dos direitos humanos. Que privilégio um país como o Brasil permitir a qualquer cidadão o direito ao culto, ainda que seja na “Igreja Héliocentrica”! No entanto este não é um privilégio do Brasil, é um privilégio de qualquer nação civilizada do mundo. Mesmo em nações como a Índia, onde o cristianismo é uma minoria religiosa, os direitos ao culto é uma garantia constitucional, e o registro destes locais de culto junto aos órgãos governamentais são possíveis de serem realizados, e até com menos burocracia e custos que no Brasil.

O que o Sr. Hélio propõe subjetivamente é o controle da igreja pelo Estado. Desde quando o Estado tem esta função? O governo é para o povo, e não contra o povo. Mais de noventa por cento da população brasileira é religiosa, seja ela católica, evangélica, espírita, judaica ou muçulmana, isto mostra que o direito ao culto é de interesse da maioria dos brasileiros, e é para estes que o governo deve atentar, sem desrespeitar a consciência daqueles que optaram por viver de forma alternativa.

A regulamentação das instituições religiosas é uma obrigação do Estado, contudo, a administração destas instituições é da responsabilidade daqueles que a compõem. É assim no mundo inteiro, por que ser diferente no Brasil? Os templos e as instituições religiosas são livres para se organizarem como bem entenderem, pois elas existem prioritariamente para aqueles que a compõem, e isto não diz respeito ao Estado. No entanto o Sr. Hélio esqueceu-se de mencionar o Código Civil Brasileiro, que traz uma série de regulamentações para as associações e instituições religiosas, porém, o administrar destas é da responsabilidade exclusiva destas instituições.

Quanto à formação dos sacerdotes religiosos ou ministros de culto, qual a proposta do Sr. Hélio? Com base em que o Estado irá controlar a formação destas pessoas? A formação religiosa de sacerdotes ou ministros de culto é de responsabilidade única destas instituições, são elas que devem definir quais os padrões e exigências. Ilustríssimo Sr. Hélio, já que abriu uma igreja, pelo menos no papel, por que não levar a sua pesquisa mais adiante, alugue um salão de culto, consagre seus filhos sacerdotes e espere lá para ver quem virá para as suas reuniões e veja como é fácil esta parte também? O que acontecerá, é que o Sr. Hélio logo descobrirá que a coisa não é assim tão simples e que o povo não é assim tão tolo como o senhor imagina e sugere no seu artigo.

É importante que o Sr. Hélio entenda que no que diz respeito à Igreja, ela é a instituição social mais antiga do mundo. São dois mil anos de história, e em qualquer igreja séria há regulamentos internos, constituições e estatutos, muitos destes centenários. O jornalista já leu algum regulamento interno de instituições cristãs como as igrejas batista, presbiteriana, metodista, católica, anglicana, luterana, assembléia de Deus, etc., para ver como se dá a consagração de seus ministros e sacerdotes? O jornalista já participou alguma vez de algum concílio examinador e de consagração de algumas destas organizações? Então não escreva bobagens, como se igreja fosse algo que se fizesse na sala da sua casa. De fato o Sr. Hélio poderá consagrar seus filhos para servirem como sacerdotes da sua Igreja Heliocentrista, é assim num país livre, agora, se conseguirão ir longe neste processo, é outra coisa. Aprenda uma coisa Sr. Jornalista, até mesmo as seitas, por mais bizarras que sejam, só vão adiante, se houver pessoas genuínas envolvidas nelas, e que acreditem que aquilo é verdade. Tirando a sua igreja, não conheço nenhuma outra que tenha surgido e prevalecido na pura picaretagem como o Sr. Hélio propõe.

No Brasil advogados fazem cursos por correspondências, jornalistas se tornam jornalistas sem nunca terem cursado um curso de jornalismo, e por ai vai, por que lhe incomoda tanto a igreja? Por que escrever sobre ela com tão pouco argumento e conhecimento de causa? Por que apresentar a questão no Brasil como se fosse algo bizarro, e não como algo que se compara com as demais nações civilizadas no mundo? Os senhores deveriam consultar um jurista com formação em direito internacional para ver como se faz na Europa ou nos Estados Unidos.

Rev. Luis A R Branco

Matéria da Folha:

[1]http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u660688.shtml

8 pensamentos sobre “O primeiro milagre do heliocentrismo

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  2. Realmente concordo com tudo o que exposto pelo Rev. Luis Alexandre Ribeiro Branco, que por sinal, além de ser um grande Amigo e Irmão em Cristo JESUS. Infelizmente, nestes dias, mesmo em meio a tantas Catrastrofes acontecendo por aí, pais perdendo seus para as Drogas, Famílias sendo destruidas, enchentes que destruíram muitas Vidas e bens em Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis ( Itaipava, Posse, Brajal ), Areal, e Vale do Rio Preto, temos que de certa forma ainda perder tempo, tempo este que é muito precioso nos dias de hoje, para até mesmo colocar ou expor comentário sobre a matéria em que o Sr. Hélio colocou em um espaço de um Jornal, espaço este que realmente deveria ser ocupado por uma Reportagem mais apreciada e aprofundada, visto que para mim, o Senhor citado acima, é totalmente desconhecedor do assunto de Igreja, pois precisa o mesmo ter em primeiro lugar um encontro real com o dono da Igreja, que é o Senhor JESUS CRISTO, que não foi, não é e nunca será o homem, e muito mais do que Dono da Igreja, ELE que ser também Dono, Senhor, Libertador e Salvador tanto do Sr. Hélio como de toda a sua Criação, sem mais, que DEUS Abençoe a todos da Família do Sr Hélio e de todos os Leitores deste renomado jornal.

  3. Alex!
    Você mandou muito bem! As vezes acho estes jornalistas acham que toda igreja evangélica e todo pastor sempre é um bom tema que vai atrair leitores. Num tempo onde o jornalismo atual tem que espantar as matérias frias capa, falar mal do segmento evangélico parece ser a unica maneira de criar algo que chame atenção. Acho que As aventuras do Afeganistão, obra que este colunista publicou , afetou um pouco bom senso de quem presta a sua inteligência para escrever puro delirio. Gente que fala como se fosse um profundo conhecedor! Gostei muito da sua abordagem, Alex!

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