Judas Iscariotes, o traidor

Posted on 8 de Janeiro de 2011

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Alguns aforismos que vieram-me a mente enquanto pensava sobre Judas Iscariotes, este intrigante personagem bíblico, sobre quem Jesus disse que bom seria para esse homem se não houvera nascido (Mt 26:24)! Já imaginou ouvir isto do próprio Cristo? E há tantos Judas por aí….

Entre as piores coisas num Judas está o cinismo, é quando ele pergunta ao Cristo sem o mínimo de vergonha na cara: Porventura sou eu, Rabi? (Mt 26:25). O Judas sempre faz de conta que não é com ele, mete a mão no prato sempre junto com Jesus, para dar aquele tom de intimidade… ah Judas, Judas…

Todo Judas encontra sua sina, logo descobrirá que as moedas de prata que ganhou com sua traição não lhe trará alegria alguma na vida, no máximo só prestará para comprar um cemitério para indigentes, e que o mais longe que conseguirá ir na vida é até a forca que ele mesmo construiu com as próprias mãos… ah Judas, Judas…

Judas estava sempre atento a todo tipo de bondade que era feita ao objeto do seu ciúme e traição, quando alguém ofertou um perfume à Cristo, Judas já sabia o preço!

Estudiosos dizem que o beijo de Judas foi para diferenciar Jesus de Tiago que seria igual a ele e não prenderem a pessoa errada. Eu creio que o beijo foi para diferenciar Judas dos guardas que iam com ele. O Judas sempre tem um gesto de um pseudo amor para a cena final. Ah Judas, Judas…

Judas sempre volta atrás, não por estar arrependido, mas por ver se há outras possibilidades de perpetrar a sua maldade sem que esta lhe denuncie tanto. No fundo para Judas o que tem valor nunca é o outro, mas as trinta moedas de prata ou a sua própria imagem. Se Judas soubesse do livro “O Evangelho Segundo Judas”, teria morrido feliz, pelo menos alguém disse alguma coisa boa sobre ele. Ah Judas, Judas…

No tocante a Judas, tudo tem seu valor, Jesus valia trinta moedas de prata, o perfume usado para ungir Jesus valia trezentos dinheiros e a bolsa que ele carregava (tesouraria) tinha retiradas livres, para ele é claro. Qual terá sido o discípulo que calculou o custo dos pães para alimentar a multidão, narrado em Marcos 6:37? Terá sido Judas? Só Deus sabe!

Judas era um bom político, sempre buscou estar bem relacionado. Na comissão dos discípulos era o tesoureiro, na mesa da ceia assentou-se perto o suficiente para meter a mão no prato com Jesus, para dar aquele clima de intimidade, era também bem relacionado com a turma do sumo-sacerdote, ele não perdia uma oportunidade de encontrar um espaço entres os proeminentes, vai que um dia seja útil! Ah Judas, Judas…

Judas não contava com a vírgula, aquela pontuação que passou a existir sempre após do seu nome: “Judas Iscariotes, que foi o traidor” (Lc 6:16); “Judas Iscariotes, o que o entregou” (Mc 3:19); “Judas Iscariotes, aquele que o traiu” (Mt 10:4). Nem um “evangelho” inteiro conseguirá apagar uma “vírgula” na história de Judas.

Judas sabe sempre onde encontrar o objecto da sua traição, o Judas antes da “virgula” tende a ser íntimo, conhece a vida das suas presas, sabe justamente o local e a hora para o golpe final (Jo 18:2).

A espiritualidade não impressiona muito ao Judas, não faz parte da sua agenda. Sejamos razoáveis, trair Jesus depois da ceia e o entregar no lugar da oração, é no mínimo uma obra das trevas, não é?

Como seria se Judas tivesse ouvido a oração do jardim? Talvez ficasse surpreso ao ouvir que Cristo o observou o tempo todo, de que nada do que fez foi oculto aos seus olhos (Jo 17:12).

por Luis A R Branco

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Posted in: Crónica, Teopoesia