Judas Iscariotes, o traidor

Alguns aforismos que vieram-me a mente enquanto pensava sobre Judas Iscariotes, este intrigante personagem bíblico, sobre quem Jesus disse que bom seria para esse homem se não houvera nascido (Mt 26:24)! Já imaginou ouvir isto do próprio Cristo? E há tantos Judas por aí….

Entre as piores coisas num Judas está o cinismo, é quando ele pergunta ao Cristo sem o mínimo de vergonha na cara: Porventura sou eu, Rabi? (Mt 26:25). O Judas sempre faz de conta que não é com ele, mete a mão no prato sempre junto com Jesus, para dar aquele tom de intimidade… ah Judas, Judas…

Todo Judas encontra sua sina, logo descobrirá que as moedas de prata que ganhou com sua traição não lhe trará alegria alguma na vida, no máximo só prestará para comprar um cemitério para indigentes, e que o mais longe que conseguirá ir na vida é até a forca que ele mesmo construiu com as próprias mãos… ah Judas, Judas…

Judas estava sempre atento a todo tipo de bondade que era feita ao objeto do seu ciúme e traição, quando alguém ofertou um perfume à Cristo, Judas já sabia o preço!

Estudiosos dizem que o beijo de Judas foi para diferenciar Jesus de Tiago que seria igual a ele e não prenderem a pessoa errada. Eu creio que o beijo foi para diferenciar Judas dos guardas que iam com ele. O Judas sempre tem um gesto de um pseudo amor para a cena final. Ah Judas, Judas…

Judas sempre volta atrás, não por estar arrependido, mas por ver se há outras possibilidades de perpetrar a sua maldade sem que esta lhe denuncie tanto. No fundo para Judas o que tem valor nunca é o outro, mas as trinta moedas de prata ou a sua própria imagem. Se Judas soubesse do livro “O Evangelho Segundo Judas”, teria morrido feliz, pelo menos alguém disse alguma coisa boa sobre ele. Ah Judas, Judas…

No tocante a Judas, tudo tem seu valor, Jesus valia trinta moedas de prata, o perfume usado para ungir Jesus valia trezentos dinheiros e a bolsa que ele carregava (tesouraria) tinha retiradas livres, para ele é claro. Qual terá sido o discípulo que calculou o custo dos pães para alimentar a multidão, narrado em Marcos 6:37? Terá sido Judas? Só Deus sabe!

Judas era um bom político, sempre buscou estar bem relacionado. Na comissão dos discípulos era o tesoureiro, na mesa da ceia assentou-se perto o suficiente para meter a mão no prato com Jesus, para dar aquele clima de intimidade, era também bem relacionado com a turma do sumo-sacerdote, ele não perdia uma oportunidade de encontrar um espaço entres os proeminentes, vai que um dia seja útil! Ah Judas, Judas…

Judas não contava com a vírgula, aquela pontuação que passou a existir sempre após do seu nome: “Judas Iscariotes, que foi o traidor” (Lc 6:16); “Judas Iscariotes, o que o entregou” (Mc 3:19); “Judas Iscariotes, aquele que o traiu” (Mt 10:4). Nem um “evangelho” inteiro conseguirá apagar uma “vírgula” na história de Judas.

Judas sabe sempre onde encontrar o objecto da sua traição, o Judas antes da “virgula” tende a ser íntimo, conhece a vida das suas presas, sabe justamente o local e a hora para o golpe final (Jo 18:2).

A espiritualidade não impressiona muito ao Judas, não faz parte da sua agenda. Sejamos razoáveis, trair Jesus depois da ceia e o entregar no lugar da oração, é no mínimo uma obra das trevas, não é?

Como seria se Judas tivesse ouvido a oração do jardim? Talvez ficasse surpreso ao ouvir que Cristo o observou o tempo todo, de que nada do que fez foi oculto aos seus olhos (Jo 17:12).

por Luis A R Branco

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3 pensamentos sobre “Judas Iscariotes, o traidor

  1. JUDAS ISCARIOTES… MAIS UMA FARSA BÍBLICA?
    Uma das minhas primeiras crônicas publicadas levou o título JUDAS VERSUS JESUS: O ENGODO (vide edição 202, de 25 de julho de 2009, disponível para ler em http://sdrv.ms/QobWqH) com repercussão internacional, sendo traduzido e publicado na revista espanhola RETALES – POLÉMICAS PARA LIBREPEN-SADORES: JESÚS VS. JUDAS: EL ENGAÑO, também disponível para baixar do link acima.
    Não sou único a assim pensar contanto que voltei ao tema com o sugestivo título JUDAS ISCARIOTES: DE TRAIDOR A HERÓI com previsão de publicação em novembro de 2016 onde documentos históricos questionam a imagem de vilão do apóstolo acusado de trair Jesus Cristo.
    Em meu humilde ponto de vista o gesto de Judas, se é que realmente houve tal gesto, foi consciente. Faria eu a mesma coisa, tentaria punir Jesus, se é que ele realmente existiu, por julgá-lo culpado de impostura e traição! Sim, o traidor às causas foi Jesus! Ele se apresentou como um (falso) profeta, insinuando-se como o Messias, incendiando a alma popular com suas (vãs) promessas, levando essas almas atormentadas a inúteis desatinos, para depois abandonar tais almas à própria sorte; além disso revelou-se à luz daquele povo como um louco blasfemo que não cumpria os preceitos emanados da Lei, pretendendo derrubar o Tempo, a Morada de Deus, agindo, esse sim, como um verdadeiro traidor! Aos meus olhos o Nazareno não se afigurou apenas embusteiro que, em nome de Deus, percorria a Palestina arregimentando o povo para um levante, despertando na grande massa humilde e, sobretudo ignorante, a esperança para, depois, desertar, deixando-a mergulhada na frustração.
    Quer um exemplo? O inesperado e inútil motim por ele provocado no Átrio, ou Pátio, dos Gentios, poderia resultar um massacre popular…
    E as ameaças de Jesus contra o Templo? Veja o que está escrito em Mc 14:58: Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens. Imagine-se, caro leitor naquela época, esse trecho não te convence que o Rabino era um louco ou um perigoso elemento subersivo?
    E que dizer do seu conformismo com a ocupação de sua terra pelos romanos? A sua existente indiferença em relação à sangria que seu povo vinha sofrendo através de um sem fim de décadas, não o revelariam como um traidor? A prova esta em Mc 12:14-17: [14] E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas à aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus; é lícito dar o tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos? [15] Então ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que a veja. [16] E eles lha trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles lhe disseram: De César. [17] E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se dele. É a famosa frase de Jesus defendendo a legitimidade dos poderes temporal (impostos) e espiritual (imagem) de César!
    Esses fatos e mais outros não mencionados e, sobretudo, a ‘tradição’ (para não dizer lendas ou mentiras) apregoada fizeram com que Judas não fosse mais um nome, tornou-se um adjetivo pejorativo: chamar alguém de Judas é uma ofensa! Equivale a chamar esse alguém de traidor, pessoa sem personalidade, sem caráter.
    Não tem muito fundamento o fato de Judas ter entregue Jesus aos romanos em troca de 30 moedas de prata como se propaga – na crônica JUDAS VERSUS JESUS: O ENGODO acima referenciada apresento argumentos mostrando ser um injustiçado, afinal de contas, como se diz, a história é escrita pelos vencedores.
    A lenda aparece nos quatro evangelhos sinópticos com uma ou outra variante, o que não lhe concede o timbre de veracidade. De fato, I Co 15:4s: [4] E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. [5] E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Note que apareceu para os doze (apóstolos) e não para onze! Isto é, Judas estava lá! Consequentemente não teria se matado após a tal traição como apregoam os evangelhos, em verdade como apregoa o evangelista Mateus, e apenas ele. Será que Mateus ‘fabricou’ o episódio o episódio calcando-se em antiga passagem de Zacarias: “Porque eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o meu salário e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata.” (Zc 11:12)?
    Veja o que diz Mc 16:14 14: Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. Mateus não fica por menos: Mt 28:16: E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. (Mt 28:16). Maliciosamente pergunto: doze ou onze? É por esses e outros motivos que a Bíblia não pode ser considerada como um livro confiável, um livro sério. E se aqui houve uma falha certamente haverá muitas mais, algumas já expostas por mim em outras ocasiões.
    Outro documento que defende o hipotético traidor é o Evangelho apócrifo conhecido como ‘Evangelho de Judas’. Segundo o texto, Judas teria apenas acatado um pedido de Jesus ao entregá-lo para as autoridades romanas. Nessa versão, Iscariotes era o apóstolo mais próximo do mestre – daí o pedido ter sido feito a ele – em meu entender a ideia, simples por sinal, era a de chamar a atenção para si tal qual fazem alguns artistas (no duplo sentido) para chamar a atenção dos veículos de comunicação para contornarem o ostracismo; particularmente penso que sem tal passagem, culminando com a crucificação, a lenda Jesus não teria alcançado a atual popularidade, o povo, as pessoas, costumam se compadecer daqueles que sofrem e como uma espécie de recompensa acabam endeusando tais ‘sofredores’.
    Do link http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_de_Judas, extrai o seguinte : O Evangelho de Judas é um evangelho apócrifo, atribuído a autores gnósticos nos meados do século II, composto de 26 páginas de papiro escrito em copta dialectal. Conta a versão de Judas Iscariotes sobre a crucificação de Jesus. Pelo livro, Judas supostamente traiu Jesus apenas para cumprir um mandamento do próprio Salvador. Desaparecido por quase 1700 anos, a única cópia conhecida do documento foi publicada em 6 de abril de 2006 pela revista National Geographic. O manuscrito, autentificado como datando do século III ou IV (220 a 340 D.C.), é uma cópia de uma versão mais antiga redigida em grego. Contrariamente à versão dos quatro Evangelhos oficiais, este texto clama que Judas Iscariotes era o discípulo mais fiel a Jesus, e aquele que mais compreendia os seus ensinamentos. O seu conteúdo consiste basicamente em ensinamentos de Jesus para Judas, apresentando informações sobre uma estrutura hierárquica de seres angelicais e uma outra versão para a criação do universo.
    Pesquisadores acham pouco verossímeis as passagens que incriminam Judas. É o caso de John Dominic Crossan : “Para ser sincero, eu vou e volto com essa questão. Mesmo quando respondo afirmativamente [que Judas de fato traiu Jesus], penso nisso como remotamente possível”, diz ele. Durante a sua última semana de vida, Jesus era protegido pela presença da multidão durante o dia (“Procuravam então prendê-lo, mas temeram a multidão”, Marcos, 12:12 , e se protegia ao sair de Jerusalém e ir para Betânia, onde estava hospedado, durante a noite. Na opinião de Crossan, as autoridades romanas não precisariam da ajuda de Judas para encontrar Jesus: “Certamente as autoridades teriam descoberto por si próprias o lugar exato para interceptar Jesus. Então, Judas era mesmo necessário? Essa é minha maior objeção com a figura histórica de Judas como traidor”. Por esse ponto de vista, o episódio da traição de Judas teria sido criado para facilitar a conversão dos romanos ao cristianismo. Na época, parte da população do império já começava a se converter, e não ficaria bem se a maior parte da responsabilidade pela morte de Jesus re-caísse justamente sobre um romano, Pôncio Pilatos. É o que Chevitarese defende: “Pessoas vindas do ambiente politeísta, principalmente das elites romanas, já estavam se convertendo ao cristianismo por volta de 70 d.C. Por isso, os evangelhos fazem Pilatos lavar as mãos”.

    “Cristão. Alguém que acredita que o Novo Testamento seja um livro inspirado por Deus, admiravelmente adaptado às necessidades espirituais do seu próximo.” (Ambrose Bierce)

    AR LEAL

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