A História de Ester, Os Trezentos e a Universal do Reino de Deus

Há pouco tempo atrás passou uma mini-série na TV Record, do Edir Macedo, chamada “A História de Ester”, e vários irmãos da igreja comentavam sobre a mini-serie falando maravilhas do programa. Esperei a série acabar na televisão e fui assistir no youtube, tentando entender qual a mensagem que queriam passar. Uma pergunta me vinha à mente antes de assistir a mini-serie: “Por que Ester?” Por que não Rute, por exemplo? Se o objetivo era uma série amorosa, sem dúvida que Rute e Boaz são personagens de um drama amoroso muito mais objetivo e interessante. “Por que Ester?” Se o objetivo era uma série que falasse do povo judeu, por que não outra passagem mais objetiva, como Neemias ou Esdras? “Por que Ester?” Se o objetivo é falar de Deus e seu cuidado para com o seu povo, certamente há outras passagens mais interessantes.

Não tenho nenhum problema com o livro de Ester, este é para mim igualmente palavra de Deus, no entanto, creio que cada um dos livros da Bíblia tem um propósito claro no plano de Deus em revelar-se à humanidade e não podemos fazer o livro dizer o que ele não diz, mas como era mais uma “obra da Universal do Reino de Deus”, esperar coerência bíblica da mini-série é uma expectativa por demais elevada.

A História de Ester, mini-série, tem coisas boas e que merecem nossa apreciação. O enredo da série foi montado de tal forma que combinasse pontos históricos importantes para que as pessoas pudessem compreender a história contida no Livro de Ester. O cenário foi igualmente bem preparado, principalmente por tratar-se de uma série gravada inteiramente no Brasil (acho eu), igualmente os figurinos e todo o visual. A explicação no final sobre o Purim foi esclarecedora para o povo comum e que quase nada conhece destes costumes.

Alguns pontos negativos estão no enredo, por demais romântico, que para dizer o que a Universal do Reino de Deus queria, precisou alterar demais a história bíblica, tornando-se quase uma versão apócrifa da história. Não gostei do Rei Assuero, criado pela IURD, este parece mais o príncipe da história da Branca de Neve e da Bela Adormecida. Longe demais da realidade histórica dos reis daquelas terras daqueles dias. Se o Assuero da IURD existisse de verdade, ele já teria sido canonizado santo católico. O Assuero, ou Xerxes I, protagonizado pelo ator Marcos Pitombo, é um típico galã de novela na mini-série, para fantasiar a cabeça das telespectadoras, mas de um rei persa o coitado não tinha muita coisa, mas com certeza a falta não era dele, era da imagem que IURD queria passar. A pessoa de Deus na série é muito subjetiva, sem nenhuma ligação clara que apontasse para a pessoa de Cristo, uma tendência demasiada da IURD, que não sabe, ou não quer, apresentar os escritos do Antigo Testamento como um anúncio do Cristo que haveria de vir.

Na IURD os textos e eventos do Antigo Testamento são apresentados como episódios isolados da história, totalmente separados da pessoa de Cristo, e são manipulados conforme a campanha de fé em questão, e sempre envolvendo dinheiro.

Outra coisa interessante é que os dois últimos Xerxes I que surgiram nas telas, foram protagonizados por atores brasileiros, o da IURD por Marcos Pitombo, em “A História de Ester”. E o de Zack Snyder por Rodrigo Santoro, em “300”. É interessante como a visão do Rei Xerxes I, da Pérsia, de Edir Macedo e de Zack Snyder são tão diferentes. Enquanto um visualiza um rei dócil, galã, enfeitiçado pela beleza da Ester, com roupas elegantes e um andar dos contos de fadas, que autoriza o extermínio de um povo com a mesma doçura que beija a mão de sua amada, o outro apresenta um rei poderoso, cheio de vaidades, de uma estatura assustadora, e uma voz nada romântica, manipulador dos povos, tirano e opressor, de uma aparência horrível, com piercings em todas as partes do corpo, algo realmente grotesco. Acredito que Zack Snyder tenha exagerado um pouco na imagem de Xerxes I, mas ainda assim está mais próximo da realidade do que o Xerxes I, do Edir Macedo. Um queria vender romance, novela gospel para atrair os crentes, o outro queria vender sangue e mostrar a bravura dos 300 diante do tirano Xerxes I. É interessante como um mesmo ponto histórico pode mudar nas mãos dos vendilhões das fantasias.

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Após assistir e considerar a mini-série “A História de Ester”, da TV Record, cheguei a conclusão de que tudo na Universal do Reino de Deus é subjetivado. Escolheram o Livro de Ester, pois seria mais fácil continuar a passar sua mensagem subjetiva e manipular a história conforme bem lhes parecia, uma vez que o Livro de Ester não é muito específico na sua narração histórica, permitiu aos realizadores manipularem a história como lhes pareceu melhor. O deus da IURD é diferente do Deus da Bíblia Sagrada, embora usem a Bíblia, fazem de forma isolada e estratégica nas suas pregações. O deus da IURD é diferente do Deus da Bíblia em essência e missão. O Deus da Bíblia tem como essência a verdade que é ele mesmo e sua missão é glorificar a si próprio. O deus da IURD tem como essência as cores que desejarem lhe dar nas mais variadas campanhas de fé que realizam e sua missão é satisfazer os caprichos humanos, para isso ordene, exija, dê ultimatos, coloque deus na parede, aperte bem, que ele fará o que você quiser. O Deus da Bíblia é revelado à humanidade na pessoa de Cristo, o deus da IURD não tem nome próprio, será que foi esta a razão de escolherem o Livro de Ester, por não trazer a palavra “Deus” ou o seu nome?

Na ocasião do lançamento da biografia do Edir Macedo, assisti uma entrevista com ele, em que Paulo Henrique Amorim lhe faz a seguinte pergunta: “Qual a doutrina principal da Universal do Reino de Deus?” e o Edir Macedo respondeu com franqueza: “A doutrina principal da Universal do Reino de Deus é a Teologia da Prosperidade!” Não é Cristo a doutrina principal, não é Jesus a mensagem mais importante, mas a “prosperidade”. O Deus da Bíblia é Jesus, o da IURD é outro, mais parecido com Mamom!

A História de Ester é interessante, pode ajudar a colorir as fantasias, mas nada como ler o Livro de Ester diretamente na fonte. A mini-série está muito longe de transmitir uma fé objetiva. Há orações, há clamores, há jejuns, como se faz nos cultos da IURD, mas nada de Jesus. Na mensagem da IURD passada na mini-serie “A História de Ester” pode haver mais pessoas querendo ser como o Rei Assuero, Xerxes I, do que como Cristo.

Luis A R Branco

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